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A PAQUERA = Flerte

Clube Namoro OU Amizade    


 

\\"A sedução, quando praticada de maneira limpa e inteligente, não é menos do que uma das belas-artes ... Em primeiro lugar, é a arte da persuasão. No entanto é mais do que isso ... É a arte da atração. Mas é ainda mais do que isso: é a arte de agradar, e a arte de satisfazer.\\"


O jogo da sedução


I. Erotismo masculino e feminino

\\"Estamos diante de uma diferença fundamental entre o erotismo masculino e o feminino\\", afirma o sociólogo italiano Francesco Alberoni. Para ele, o erotismo masculino é ativado pela forma do corpo, pela beleza física, pelo fascínio, pela capacidade de sedução. Não pelo reconhecimento social, pelo poder. Se um homem pendura na parede do seu quarto uma foto de Marilyn Monroe nua, é porque ela é uma belíssima mulher nua. E se ele tiver de escolher entre fazer sexo com uma atriz famosa, mas feia, ou com uma deliciosa garota desconhecida, não terá dúvidas em escolher a segunda. A sua escolha é feita na base de critérios eróticos pessoais.

Na mulher seria diferente: o erotismo profundamente influenciado pelo sucesso, pelo reconhecimento social, pelo aplauso, pela classificação no elenco da vida. O homem quer fazer sexo com uma mulher bonita e sensual. A mulher quer fazer sexo com um artista famoso, com um líder, com quem é amado pelas outras mulheres, com quem é respeitado pela sociedade. Mas isso é fácil de entender, se lembrarmos que as mulheres, durante milênios, para se sentir protegidas, aprenderam a erotizar a relação com o poderoso.

Homens e mulheres são ensinados a ser diferentes, sobretudo no que diz respeito à sensibilidade, ao desejo e às fantasias. Na relação a dois, com freqüência, um imagina o outro como na realidade ele não é, e espera dele coisas que ele não pode dar. \\"O erotismo se apresenta, então, sob o signo do equívoco e da contradição\\", diz Alberoni no livro \\'Erotismo\\'. Entretanto, a igualdade entre os sexos tende a acabar com esta situação; ambos buscam, cada vez mais, o que os iguala e tentam superar as diferenças. Apesar disso, não deixa de surpreender o fato de que, com todas as diferenças existentes até agora, sempre tenha havido atração entre os sexos e encontros amorosos. Mas como conseguem comunicar a sua atração sexual?

II. Flerte: um padrão universal?

Muitas são as técnicas utilizadas para se conquistar alguém. Algumas são mais corajosas, outras tímidas, porém, em cada uma delas estão incluídas características naturais da psique humana. Todas formam um jogo de emoções, gestos, conversas e toques, com um único objetivo: atrair, agradar e satisfazer, tanto a si próprio como ao outro.

Segundo Helen Fisher, antropóloga americana, existe um padrão universal de comportamento feminino no flerte. Em suas pesquisas, utilizando estudos como o do etólogo Irenaus Eibl-Eibesfeldt, ela concluiu que algumas das maneiras com que os homens e mulheres agem durante o flerte são encontradas também em muitas espécies do reino animal. O olhar recatado, com a cabeça baixa e os olhos para cima, movimento tão característico nas mulheres, é largamente utilizado pelos gambás. Em qualquer parte do mundo, as mulheres utilizavam uma mesma seqüência de expressões: sorrir e erguer as sobrancelhas em um rápido movimento; depois baixar a cabeça e desviar o olhar; e finalmente esconder o rosto com as mãos, dando risadinhas nervosas.

Os homens, com a sua mania de estufar o peito, numa tentativa de parecerem mais altos e mostrarem assim uma superioridade, estão nada menos imitando gestos encontrados nos bacalhaus, cobras, rãs e sapos. Tais características, de tão marcantes, convenceram o etólogo e a antropóloga de que seriam inatas do ser humano.

Outra antropóloga, Bárbara Smuts, ao presenciar um flerte entre dois babuínos no Quênia, disse que teve a impressão de estar vendo duas pessoas que pela primeira vez se encontravam em um bar, tamanha era parecida a forma como eles se olhavam de que nós fazemos.

III. O Olhar

\\"Talvez sejam os olhos - não o coração, os genitais ou o cérebro - que dêem início ao romance, já que muitas vezes é a partir do olhar que ocorre o sorriso.\\", diz Helen Fischer.

Sendo talvez o instrumento mais importante do flerte, o olhar desperta uma parte primitiva do ser humano, provocando duas reações - aceitação ou rejeição.
É impossível ignorar o olhar de uma pessoa fixado em nós. Isso exige uma reação, que nem sempre é a mais acertada. Normalmente, rimos e conversamos, olhamos para outro lugar ou nos afastamos do local. Mas primeiro levamos a mão até a orelha, ajeitamos a roupa, bocejamos, mexemos em algum objeto, tudo sem o menos sentido. É o que Fischer chama de um \\"gesto de disfarce\\", feito para avaliar a ansiedade, enquanto pensamos se vamos embora ou se ficamos e aceitamos participar do jogo da sedução.

IV. O Sorriso

Após um olhar, uma tentativa de contato, é normal que as pessoas reajam com um sorriso. Seja encontrando alguém conhecido ou iniciando um flerte, ele sempre é o passo que estabelece o contato. Porém, muito pode ser \\"dito\\" em um sorriso. Existem pelo menos 18 tipos, alguns mais abertos, outros mais fechados, o que demonstra perfeitamente qual o tipo de contato que se deseja ter com a outra pessoa.

Basicamente podemos dividir os sorrisos em três categorias:

Sorriso simples - Boca fechada, lábios esticados (os dentes não aparecem). Neste tipo, as pessoas não demonstram muito interesse em um contato maior. Normalmente é acompanhado por um aceno de cabeça.

Sorriso superior - Mostram-se os dentes superiores. Este tipo demonstra um interesse maior, uma intenção de aproximação e é utilizado em todo os tipos de contatos de amizade, incluindo o flerte. Vem acompanhado de um erguer de sobrancelhas.

sorriso aberto - Lábios completamente abertos, mostrando todos os dentes. Mostra uma postura totalmente aberta, de desejo pelo contato com a outra pessoa. É utilizado durante o namoro.

V. O Cheiro

O olfato é um sentido muito poderoso no jogo da sedução. Tão característico e pessoal quanto nossa voz, ou nossa personalidade, é o nosso \\"odor pessoal\\". Cada pessoa tem um cheiro diferente.

O corpo humano produz substâncias que funcionam provocando atração sexual. Conhecidas como feromônios, elas são produzidas pelas glândulas localizadas nos órgãos sexuais, nas axilas, em volta dos mamilos e na virilha, exalando os mais diversos tipos de cheiros.

Não se sabe ao certo como elas funcionam, já que não podem ser detectadas; o que se sabe é que parecem atuar sobre os pontos sexuais do cérebro. Elas foram descobertas primeiro os animais, nos quais exercem influência a grande distância - uma mariposa fêmea consegue atrair o macho a mais de três quilômetros de distância.

Mas a idéia de que existem substâncias sexuais naturais não é nova. As prostitutas de Nápoles eram conhecidas por esfregarem o líquido vaginal atrás das orelhas, de modo a atrair fregueses. Habitantes das aldeias austríacas iam às festas locais com lenços que haviam ficado nas axilas por vários dias.

Livros consultados:
— Anatomia do amor, Helen Fisher, Editora Eureka, 1995.
— Um toque sensual, Glenn Wilson, Marshall Cavendish Limited, 1989.

A paquera passo a passo

O antropólogo David Givens e o biólogo Timothy Perper, após centenas de horas observando o comportamento de pessoas em bares americanos, encontraram um mesmo padrão no flerte, elaborando cinco estágios básicos:

1. Chamar a atenção

O primeiro passo consiste em estabelecer o território, escolhendo um lugar para sentar ou se encostar, e então começar a chamar a atenção para si.

Para isso os homens costumam erguer os ombros e esticar o corpo. Utilizam gestos bem exagerados, como mexer um drink com o braço todo, acender um cigarro de forma bem movimentada, etc. Homens mais velhos costumam mostrar jóias, roupas e qualquer outro objeto que mostrem sua posição social, ostentando poder.

As mulheres sorriem e também se movimentam bastante, mudando de lugar. Para serem notadas, utilizam movimentos tipicamente femininos, como ajeitar o cabelo, umedecer o lábio superior, empinar as costas, balançar os quadris, etc.

2. Reconhecimento

Este estágio é muito curto. Ocorre quando os olhares se cruzam e basta um sorriso de uma das partes para que o jogo esteja aceito. E assim os dois se aproximam.

3. Conversa

Sem dúvida é o estágio mais arriscado do flerte. Em uma conversa, revelamos nossas intenções, nossa personalidade e nossa cultura. A voz fica mais alta, suave e musical. Para atrair a pessoa, muitas das vezes a forma como se fala é mais importante do que o que se fala. O tom da voz tem muita importância, podendo agradar ou repelir a pessoa em apenas uma frase.

4. Contato físico

Este estágio começa com atitudes de intenção, como a aproximação dos pés e braços. Chega-se então ao toque propriamente dito, onde um coloca a mão numa parte do corpo do outro, fazendo carícias. Normalmente é a mulher que dá esse passo. O tato é considerado o sentido-mestre, e a retribuição de um toque já é a aceitação um contato corporal maior.

5. Sintonia corporal

Se o casal continuar a conversar e se tocar, se aproximando cada vez mais, alcançam este último estágio. Os corpos começam a se mover em um só movimento. Os ombros se aproximam e os corpos ficam de frente um para o outro. Os movimentos daí em diante passam a ser idênticos. Enquanto um passa a mão no cabelo, o outro também o faz, e assim por diante. Normalmente o casal que atinge este estágio costuma sair junto do bar.

Perper observou que 2/3 dos encontros tiveram como iniciativa atitude das mulheres. Esse fato é comprovado por uma pesquisa de 1950, que diz que as mulheres são as que realmente tomam a iniciativa nos convites sexuais. No mundo animal, tal característica é facilmente observada em várias espécies. Portanto, procurar o sexo seria característica genética das fêmeas.

A PAQUERA BEM SUCEDIDA
Sérgio Savian*

Outro dia eu peguei um táxi e por um acaso o motorista me reconheceu de alguma entrevista que eu havia dado na TV. Ficamos entusiasmados com o papo quando ele me falou dos seus dotes como paquerador. Disse que tem uma estratégia infalível para fisgar a mulherada que consiste em convidá-las para um karaokê. O cara me pareceu muito seguro e satisfeito com a quantidade e com a qualidade das mulheres que ele conquista. Olhei bem para ele e não via um homem boa pinta, muito pelo contrário, um tipo até bem comum. Mas ele emanava um brilho especial, típico de alguém que confia no seu próprio taco. Perguntei-lhe então como é que ele faz para conseguir o que quer, isto é, ter a gata nos seus braços. E sabe o que ele me respondeu? Que toda a sua técnica consiste em cantar no karaokê! Isso mesmo!

Feito um pavão que abre sua penugem colorida para encantar a sua fêmea, o chofer de táxi usa a sua linda voz para encantar as mulheres. Imagine esse homem oferecendo a sua canção e surpreendendo a convidada. Ele sabe como hipnotizar a mulher que quer! Enquanto me relatava tudo isso eu podia ver no rapaz uma felicidade grande, um orgulho de quem faz o que gosta. Um super brilho nos seus olhos.

E aí está o grande segredo não só da paquera, mas de qualquer coisa que você queira fazer bem feito. Faça com gosto, com envolvimento, paixão e ousadia. Dessa forma você move a sua adrenalina, você move a sua endorfina, mistura de aventura e prazer. E quando você consegue esse grau de envolvimento, a sua paquera só pode ser boa. Você cria assim uma atmosfera mágica.

Quando comecei a minha carreira como professor de paquera muita gente insistia em me perguntar se eu sou casado, numa alusão equivocada e ingênua de que um paquerador bem sucedido acaba casando. E isso não tem nada a ver com a realidade. O casamento acabaria com a vida de paquerador, o que, no meu caso, faria eu me enferrujar nesta arte da qual sou um feliz pesquisador.

Mas pouco a pouco fui lhes dizendo que a vida de solteiro pode ser muito boa. Sem a mão de obra de um relacionamento convencional, sobra-nos mais energia para nos divertir, para conhecer lugares novos, gente nova. A vida de solteiro, se você o permite, pode ser muito boa. A liberdade e o prazer de viver é tudo. Neste momento muita gente está descobrindo isso. Muita gente está percebendo que a ordem antiga de se casar talvez não seja mais uma obrigação a ser cumprida.

Se você quiser se experimentar num relacionamento, tudo bem. Mas isto tem que ser uma opção que depende da sua personalidade, da sua natureza interna, do momento da sua vida. Pode ser que o casamento seja um sonho seu. Tudo bem. Case-se e experimente o que isto significa para você. Mas uma coisa eu lhe digo: existem muito mais opções do que você imagina para se viver bem, além do casamento tradicional.

O pavio das pessoas para um relacionamento está bem curto. O que vivíamos em 20 anos agora vivemos em 20 minutos, senão em 20 segundos. E é por isso que precisamos nos atualizar na arte de paquerar. Porque tudo agora é rápido. Você não se casa somente uma vez. Você se casa várias vezes. E se você ficar esperto na escolha de um parceiro, perde menos energia na relação. Por isso seja um artista na sedução, não ficando com qualquer um! Aprenda a reconhecer o que é bom e o que não é bom para você. Aproxime-se de quem você merece!

Após ter recebido tantas cartas, e-mails e feito muitos programas de rádio e TV, além de matérias em jornais e revistas, tudo isso funcionou para mim como um grande espelho para a reflexão sobre o tema. Cheguei à conclusão de que a paquera é mágica, se assim nos permitimos vivenciá-la. Sinto-me bastante grato por tantos convites, por tantos comentários que recebi. Eu mesmo me surpreendi com a dimensão e o interesse que tanta gente tem pelo tema.

Recebi nos meus cursos homens e mulheres de todas as idades, inclusive um senhor de quase 70 anos que queria vencer a sua timidez e um outro de 60 anos que me ensinou muitos dos seus truques. Escutei muita gente, o que para mim foi uma experiência bastante rica. Espero que você viaje aqui tanto quanto eu viajei nestas histórias todas. Bom proveito!

CONFIANÇA EM SI MESMO
Sérgio Savian*


Este é o primeiro ponto para quem quer se dar bem na conquista. Se você não tiver um bom conceito a respeito de si mesmo, dificilmente irá passar uma boa impressão para os outros.E essa confiança em si mesmo tem várias facetas. Uma delas é a imagem que você faz de si. Quando você se olha no espelho, o que é que pensa? Você se aceita do jeito que é? Ou fica achando que a sua barriga é o fim da picada?

Por querer bem o seu filho, a mãe o ama independente dele estar mais magro ou mais gordo. E esta seria uma boa forma para você se olhar. Se você mantém uma boa relação consigo, quando uma pessoa por algum motivo o rejeitar, você estará bem amparado por esta estrutura interna.

Outra coisa que faz você se sentir mais confiante são as suas realizações. Se você é uma pessoa frustrada, sentindo-se medíocre, vai ficar difícil vender um peixe que não seja esse. Mas se você se sente orgulhoso do que faz, sabe o quanto ralou para chegar onde está, isto lhe dá um autovalor que será transmitido para os outros, mesmo que você não fale nada sobre isto. Alguém com uma boa auto-estima e um elevado senso de autovalor, tem um brilho natural e não precisa fazer muito esforço para ser notado.

Preste atenção, porém, para não exagerar na dose! Se você fica o tempo todo se achando o máximo, vai cair no lado oposto de quem se acha um lixo. E isto também é prejudicial na sua paquera. No geral as pessoas não gostam de gente muito metida que fica achando que é a rainha da cocada preta.

Portanto, cuide-se muito bem, tendo o bom senso de saber o que você pode fazer por si e o que não pode. Por exemplo: se você acha que está gordinho e entende que uma boa dieta e uma academia são viáveis na sua vida, não perca tempo, faça tudo o que está ao seu alcance. Mas se você tem alguma característica que não é passível de mudança, como ser alto ou baixo, trate de conviver bem com a sua realidade.

Um bom exercício para você se desenvolver nisso é marcar encontros com você mesmo em frente ao espelho e ali, olho no olho, desenvolva uma boa cumplicidade consigo mesmo.

BOA APARÊNCIA
Sérgio Savian*

Cada pessoa se sente atraída por algum detalhe diferente no outro. Para uma mulher pode ser fundamental que o homem seja inteligente. Para outra, ele tem que ser gentil. Sem contar aquelas que gostam do cara que lhes faça de gato e sapato. Mas no geral, quando você está paquerando, a aparência é importante. Não dá para a gente negar isto.

Conheço uma mulher que fica atenta aos sapatos do homem que está paquerando. Para ela os sapatos lhe dizem muita coisa. Você pode encontrar uma pessoa que se produz toda num final de semana para ir à luta, atrás do seu amor. Mas se ela não se sente bem consigo mesma e no fundo não confia no seu taco, de nada vai adiantar tanta produção.

Mas o inverso também vale: você pode ser uma pessoa bem interessante, mas pode estar pecando por se apresentar de uma forma inconveniente. Isto pode parecer muito básico para alguns, mas tem muita gente que subestima este item e acaba por prejudicar-se na paquera.

A higiene do corpo e da boca são fundamentais. A roupa diz muito da sua personalidade. Você pode estar fazendo uma linha muito séria, ou jovial. Você pode estar usando cores específicas que irão informar aos outros o seu estado de espírito. Os cabelos são uma moldura para o seu rosto e um bom corte sempre ajuda muito.

Mas no fundo, no fundo, o trabalho constante para se transformar numa pessoa livre e feliz é que vai fazer a diferença. Sentindo-se muito bem por dentro, isso irá se refletir na sua aparência externa.

O MISTÉRIO DA ATRAÇÃO
Sérgio Savian*

O que faz você se sentir atraído por alguém? Como é que funciona isto? Alguém que você acha bonito, para outros não fede nem cheira.

Todos nós temos uma intuição mais ou menos desenvolvida. E esta intuição nada mais é do que a captação sutil de quem é a pessoa através dos seus gestos, da sua roupa, do seu jeito de se deslocar, de falar e no caso da Internet, de escrever.

Você bate o olho e lhe abre o apetite. você tem vontade de se aproximar, de chegar mais perto, de conversar e muitas vezes, de transar.

E se você começa a conversar e entender melhor quem é a pessoa pode observar que ela tem uma história e um jeito que lhe atrai muito. O que foi intuitivo no começo vai se tornando uma constatação.

Às vezes a pessoa lembra alguém da sua infância, da sua família, da sua vizinhança. Vamos atrás do que é familiar. E isso pode ser bom ou ruim. Pode ser que você se sinta atraído por pessoas que lhe dão muita mão de obra. Aí vale a pena você observar os padrões de relacionamento aos quais você está acostumado. A partir dessa consciência você pode deslocar a sua atenção para outro tipo de pessoa, que talvez lhe proporcione mais prazer e menos complicação.

É possível você mudar o tipo de pessoa pelo qual você se sente atraído.


O SEXO SEM MISTÉRIOS
Sérgio Savian*


Se você é uma pessoa que gosta do sexo e o faz constantemente de uma forma legal, com qualidade, provavelmente essa experiência sua faça parte da sua fisionomia, da sua cara, do seu astral. É um círculo vicioso: você tem uma vida amorosa e sexual boa e por isso irradia uma sensualidade que vai lhe ajudar e muito na sua paquera.

Acontece o inverso também. Você está enferrujado. Faz tempo que não namora alguém. Vai perdendo o costume. Pode ser até que se conforme com a sua miséria sexual. Fica sem apetite e muitas vezes bastante exigente na escolha de um parceiro.

O bom paquerador gosta do sexo. Gosta das mulheres (dos homens). Tem um interesse sincero e grande em conhecer alguém com quem possa estar junto para trocar carícias, para o sexo, para uma boa companhia. Só o fato de você estar profundamente interessado nessa possibilidade já é um bom começo. Se você estiver só um pouco interessado nisso tudo, esse pouco não é o suficiente para mobilizá-lo na paquera.

O fato é que nós aprendemos e continuamos aprendendo que o sexo é algo feio, sujo e pecaminoso. É só você reparar nas piadas, nos palavrões, sempre relacionando o sexo e as áreas genitais à chacota. Precisamos mudar essa ordem das coisas e nos reprogramar para um sexo bonito, brincalhão, gostoso e satisfatório. Assim vamos associá-lo somente ao prazer e não à complicada posição que ele costuma ocupar em nossas mentes.

Quando você tem medo do sexo, consciente ou inconscientemente, a sua paquera está comprometida. Você pode até brincar. Fazer de conta que está flertando, mas de alguma forma você vai fazer alguma coisa para que a sua conquista não aconteça. Por exemplo, pode ficar enrolando tanto a situação que vai passar do ponto. A outra pessoa desiste ou se afina com outra pessoa. Quando o sexo para você acontece de uma forma mais natural, a paquera pode ser melhor sucedida.

CARA DE PAU
Sérgio Savian*


Quem sai na chuva é para se molhar. Se você quer mesmo conquistar alguém, é fundamental que você use todas as armas possíveis. Você está num lugar cheio de gente, passa o radar e percebe que tem lá uma pessoa da qual fica a fim. O que fazer? O primeiro passo é fazer com que ela perceba o seu interesse. Mas você deve fazer isso sempre de uma forma sutil, sem ser invasivo.

Na paquera, o contato de olhos é fundamental. E você pode fazer isso com ousadia, classe e eficácia. Preste atenção para não fuzilar a outra pessoa com o seu olhar. Olhe, mas dê sempre uma folga para o outro também olhar para você. Não pressione o outro com o seu olhar. Outra coisa: você pode ir olhando aos poucos. Numa primeira vez, jogue um olhar amigável e rápido. Se estiver difícil para você fisgar os olhos dela, tente olhar para o seu rosto, para os cabelos. Vá pouco a pouco \"chegando\" nos olhos. Se os olhares se cruzaram uma vez, tente a segunda e se você for bem sucedido, já está chegando mais perto do seu objetivo. Não se esqueça de que seu olhar está passando uma informação: pode ser mais ou menos maroto, sexual, amigável, apaixonado, agressivo, etc. Preste atenção na qualidade do seu olhar.

Mas depois de algumas trocas de olhares, está na hora de você mudar o seu repertório. Tem gente que fica muito tempo nisso. Olhando, olhando. Mas não é bom. Pode passar do ponto e perder a graça. O ideal é que você mude. E é aí que entra o elemento surpresa. Nesse ponto, quando já não dá mais para esconder o interesse mútuo em se conhecer, a situação é meio engraçada. Por isso sorrir pode ser bem simpático e espontâneo. Você pode também cumprimentar a outra pessoa com um gesto da sua cabeça. São formas de quebrar o gelo. Outros, preferem o gesto de oferecer uma bebida. Cada um deve buscar a sua forma de descontrair o contato.

Uma vez que você olhou e foi correspondido, que sorriu e foi bem aceito, aproximar-se da outra pessoa não é tão arriscado. Aí está a diferença de uma paquera elegante e uma cantada. Na cantada você não percebe a outra pessoa e por isso mesmo pode levar um fora. O que eu lhe proponho é que você vá chegando aos poucos e isso minimiza os riscos de você ser rejeitado.

A ousadia na paquera é fundamental. Você chega perto e fala algo que o outro não estava esperando. Você surpreende por sua imprevisibilidade. Você pode fazer isto por uma frase inteligente, amigável ou bem humorada. Depende do seu estilo.


O QUE NÃO FUNCIONA Sérgio Savian* Não funciona você querer forçar a barra, insistindo num contato quando a outra pessoa não está a fim. Pega mal começar um papo reclamando da vida ou falando mal de si mesmo. O primeiro contato funciona melhor se for agradável e leve. Questões muito polêmicas podem não ser bem-vindas na paquera. Por isso tente desviar de assuntos que possam gerar um clima de discussão. Ficar em casa, esperando que um dia aconteça alguma coisa pode ser uma crença sua, mas não funciona. Lisonjear a pessoa não é um bom caminho. Fazer elogios sinceros é diferente e não devemos economizá-los, mas falar algo só para amaciar o ego do outro é um jogo que com o tempo não dá certo. Tem gente que é craque em dar conselhos. É a síndrome do professor. Mas na paquera isso pode parecer muito chato. Nem todo mundo quer ficar na posição de aluno. Quando você está paquerando o ideal é que você esteja aberto nos seus objetivos. Por exemplo, se você tem a intenção de só paquerar alguém para um relacionamento sério, provavelmente o seu grau de exigência é bem grande. Mas se você se coloca aberto, deixando que o próprio contato lhe mostre o caminho, você só tem a ganhar. Pode ser que você chegue à conclusão de que você quer somente ficar com a pessoa. Ou pode ser que você tenha encontrado o amor da sua vida. Ou uma boa amizade. Ou pode ser também que não lhe interesse prolongar o contato. De toda forma, quanto menos planejado você estiver, melhor a paquera que vai ter. Não seja tão fantasioso. Você está na sua mesa e se interessa por alguém que está do outro lado do bar. Fica olhando, olhando. Imagina como ela deve ser. Imagina, imagina. Até que vem um outro cara, começa a conversar com ela e você continua imaginando, imaginando...
RELACIONAMENTOS DESCOMPLICADOS
Sérgio Savian*
Sentir-se atraído por alguém, deixar que o outro perceba a sua intenção de conhecê-lo, iniciar uma conversa, tudo isso pode ser muito agradável se você for uma pessoa descomplicada.
A paquera é uma espécie de brincadeira de gente grande, quando você pode descontrair e se divertir bastante. Para isso, temos que ter bom humor. Não levar muito a sério tudo. Você investe no contato. Se der certo, bem, se não der certo, não esquenta a cabeça.
Preste atenção no tipo de pessoa que você anda paquerando. Conheço muita gente que insiste em paquerar gente difícil. E depois fica se sentindo rejeitado. Uma coisa é você se sentir atraído por alguém, mas é bem importante você entender se a outra pessoa está interessada em você. Nesta gangorra dos relacionamentos o ideal é que ninguém esteja por cima ou por baixo.
A base é a sua auto-estima e não permitir que alguém lhe trate mal. Outro ponto é a habilidade que você tem para conviver com a sua solidão. Se você consegue ficar bem consigo mesmo não vai vender a sua alma para o diabo, isto é, não vai entrar em qualquer relação só para não ficar só.
Daí os seus encontros ficam mais light, sem tanto stress. Se o seu encontro não estiver bom, você sai fora, não fica em um barco que está furado. Ou se o seu encontro é bom, por que não ficar aberto para aprofundá-lo? Cada encontro, uma história. Assim o comprometimento vai acontecendo em bases reais. sem projetos, sem expectativas, sem tantos planos.
O amor é selvagem e não tente aprisioná-lo dentro de regras e convenções. A única possibilidade de mantê-lo vivo é cultivando-o com liberdade e sinceridade.





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