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AUTO ESTIMA
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O mapa da auto-estima
Ela está presente em tudo o que você faz. De acordo com os psiquiatras
franceses Christophe André e François Lelord, autores do livro A Auto-Estima -
Amar a Si Mesmo Para Conviver Melhor com os Outros, a auto-estima se compõe de
três ingredientes que se manifestam em doses diferentes.
Como está o seu amor-próprio?
O amor por si mesmo é o alicerce da auto-estima. Significa você se amar de
modo incondicional, com todos os seus defeitos e as suas qualidades. Mesmo que
seus projetos fracassem, uma voz interior dirá que você é digno de amor e de
respeito. Com isso, você conseguirá enfrentar a adversidade e se erguer do
tombo.
Como você se vê?
Na auto-imagem, o que conta é a avaliação que você faz dos seus atributos -
sua inteligência, sua beleza, seu talento. Se você menospreza a sua própria
capacidade, acabará desperdiçando chances preciosas de se realizar, de atrair
outras pessoas e de ser feliz.
Você confia no seu taco?
A autoconfiança é o que lhe dá coragem para agir em situações novas.
Depende, em grande parte, da atitude dos seus pais quando você era pequeno:
eles acreditavam na sua capacidade? A falta de segurança se manifesta na
timidez, na hesitação e no medo do desconhecido.
Receita de dom-juan
Nada sofre tanta influência da auto-estima quanto o jogo da sedução. A
conquista de um parceiro provoca euforia. Já a rejeição atira no fundo do poço
o amor-próprio de qualquer um. Na década de 60, psicólogos americanos fizeram
duas experiências para checar se, a partir do nível de auto-estima, seria possível
prever os comportamentos de sedução.
Em uma delas, estudantes do sexo masculino foram submetidos a um teste de
inteligência. O teste era falso, com notas distribuídas ao acaso - metade dos
alunos recebeu uma avaliação baixíssima, enquanto a outra metade teve o
desempenho supervalorizado. Depois, usando um pretexto, os pesquisadores fizeram
com que eles se encontrassem com um grupo de garotas na lanchonete da faculdade.
Elas eram, na verdade, cúmplices da experiência e estavam monitorando os atos
de sedução praticados pelos rapazes, como oferecer um café ou perguntar o número
do telefone. Os alunos que tinham recebido notas altas eram os que mais
paqueravam as moças, enquanto os que se saíram mal no \"teste\"
ficavam mais quieitinhos. Conclusão: a auto-estima elevada desperta o dom-juan
que mora dentro de cada um.
A outra pesquisa, dessa vez com moças, mostrou um resultado um pouco diferente:
quanto mais elas se sentem desvalorizadas, mais se tornam receptivas à
abordagem masculina. E vice-versa. O nível de exigência da mulheres na escolha
do parceiro aumenta junto com a sua auto-estima.
Como é construída a auto-estima
Os alicerces da nossa auto-estima são lançados muito cedo, logo no início da
infância. O ponto de partida são atitudes aparentemente insignificantes - por
exemplo, uma mãe que sabe sorrir para o filho quando ele requisita o seu olhar.
A partir dos 2 ou 3 anos, a criança começa a se perguntar sobre sua aparência
física. Ela quer saber se os outros a acham bonita. Muito do seu futuro amor-próprio
dependerá, então, da reação dos adultos que conviverem com ela.
\"Geralmente as pessoas dotadas de uma auto-estima sólida foram
beneficiadas na infância pelo amor incondicional dos pais\", escreveram os
psiquiatras franceses Christophe André e Fançois Lelord, autores do livro A
Auto-Estima - Amar a Si Mesmo Para Conviver Melhor com os Outros.
A chave da auto-estima infantil está nesta palavra: incondicional. Os pais,
enfatizam os dois psicólogos, não podem dosar seu afeto a partir de critérios
como o desempenho escolar, a habilidade de comer sem se lambuzar ou a disposição
da criança para fazer o papel de \"boazinha\" diante dos adultos. É
claro que é necessário impor limites, atitude fundamental na educação, mas
sem excessos. \"Humilhações e castigos descabidos tendem a gerar crianças
inseguras e com um forte sentimento de vergonha e de culpa\", alerta a psicóloga
Janice Vitola, professora da Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre.
O extremo oposto, a superproteção, também deve ser evitado, segundo Janice, já
que transmite uma mensagem de incapacidade e desvalorização.
Cultivado na infância, o amor por si mesmo sofre flutuações ao longo da existência.
É claro que bases sólidas na fase inicial facilitam tudo, mas os
acontecimentos posteriores - ou seja, o sucesso ou não nas relações amorosas,
na amizade e no trabalho - também influenciam, e muito. Moral da história: se
você teve uma infância complicada, isso não é motivo para achar que a sua
baixa auto-estima é um destino imutável. André e Lelord contam, no livro, que
já encontraram - em geral fora dos consultórios - adultos que, apesar de um
\"mau começo\", foram capazes de construir um amor-próprio sólido.
\"De qualquer maneira\", concluem, \"para compreender a
auto-estima de um adulto é necessário se debruçar sobre a criança que ele
foi.\"
Frases de sabedoria
O psicólogo Nathaniel Branden formulou alguns princípios cujo objetivo é o de
tornar a auto-estima uma espécie de filosofia de vida. \"O que um indivíduo
pensa, acredita e diz a si mesmo influencia o que ele sente e o que faz\",
ensina. Confira e, se quiser, cole na geladeira ou ao lado do computador para não
se esquecer.
Tenho o direito de viver.
Não estou no mundo para corresponder às expectativas alheias. Minha vida
pertence a mim. E isso é igualmente verdadeiro para os demais seres humanos.
Se alguém de quem eu gosto não corresponde aos meus sentimentos, isso pode ser
decepcionante e até doloroso, mas não reflete o meu valor pessoal.
Nenhum indivíduo ou grupo tem o poder de determinar como vou pensar e sentir a
respeito de mim mesmo.
Se os meus objetivos forem racionais, mereço sucesso naquilo que tentar.
Tenho o direito de cometer erros. Essa é uma maneira de eu aprender.
Prefiro corrigir meus erros a fingir que eles não existem.
Não procuro fazer com que minhas convicções pareçam diferentes do que são
em nome da popularidade e da aprovação.
Aceito meus pensamentos tais como são, mesmo quando não os endosso.
Aceito a realidade dos meus problemas, mas não sou definido por eles. Meus
problemas não são a minha essência. O medo, a dor, a desorientação e os
erros não refletem o que eu sou.
Vale mais minha auto-estima do que traí-la por qualquer recompensa imediata.
Para dar a volta por cima
Se você desconfia que a sua auto-estima anda meio caída, não desanime. É
possível reverter esse quadro. Os psicólogos franceses Christophe André e
François Lelord elaboraram uma lista de nove atitudes práticas que, com
certeza, vão ajudar. Para que tudo dê certo, eles recomendam que você, antes
de mais nada, incorpore à sua rotina três posturas gerais: transformar os
lamentos em decisões, escolher objetivos viáveis (se você quer um namoro, não
adianta sonhar com o Thiago Lacerda) e dar um passo de cada vez. Munido dessas
estratégias, invista nas novas atitudes:
Conhecer a si mesmo
É o ponto de partida. Não se trata de mergulhar na introspecção, e sim de
tomar consciência das suas capacidades e dos seus limites. Defina claramente
aquilo que lhe agrada e o que lhe desagrada em você. Para adquirir uma visão
mais completa sobre si mesmo, vale a pena saber qual é a sua imagem aos olhos
dos outros. Com jeitinho, pergunte aos seus amigos mais íntimos o que eles
acham de você e preste atenção nas dicas que eles te dão sutilmente de vez
em quando.
Aceitar-se
As pessoas com amor-próprio elevado sabem que têm defeitos, como todo mundo. A
diferença está na maneira de encará-los. Você se sente inferior por ser a única
da turma com quilinhos a mais? Matricule-se numa academia, faça um regime ou
compre roupas que te deixem confiantes e à vontade. Não sinta vergonha das
suas falhas e limitações. Se você não sabe dançar e alguém a convida para
acompanhá-la num forró, há duas alternativas. A mais cômoda é recusar. Em
vez disso, você pode simplesmente confessar que não sabe dançar. Quem sabe
ele lhe oferece uma aula grátis?
Ser honesto consigo mesmo
Aquele cara que você esperava ligar não ligou e uma amiga lhe pergunta:
\"Você ficou decepcionada?\" Você diz que não liga, quando, na
realidade, tem vontade de gritar: \"É claro, eu queria muito sair com
ele!\" O pior é quando você mesmo tenta se convencer de que esse papo
furado é verdade. Quem você pensa que engana? Abra o jogo ao menos com você
mesmo.
Agir
Em vez de ficar ruminando as frustrações, faça aquilo que você precisa - e
quer - fazer. A decisão de mudança deve se traduzir em atos concretos.
Qualquer atitude prática que você tome, ainda que modesta, é melhor do que
uma intenção que vira fumaça. Até mesmo as pequenas ações podem ter um
efeito capaz de virar o jogo e erguer a sua auto-estima: dar um telefonema,
arrumar a bagunça na casa, ir a uma festa.
Enfrentar a crítica interior
Sabe aquela voz dentro da cabeça que fica achando defeito em tudo o que você
faz? É melhor enfrentar essa chata sem rodeios. Será que você foi tão ridícula
naquela noite? Recapitule objetivamente o que ocorreu. Se o assunto ainda a
incomodar, pergunte aos seus amigos. Na pior das hipóteses, você poderá tirar
lições e evitar que o vexame se repita na próxima vez. O importante é se
proteger da crítica implacável que mora dentro de você. Não se esqueça: o
perfeccionismo é sinal de baixa auto-estima.
Aceitar a idéia do fracasso
Infelizmente, a existência não é uma série infinita de vitórias. Para alcançar
qualquer objetivo, é necessário assumir o risco. Errar não é vergonha. Além
do mais, a vida não se divide entre o triunfo e a catástrofe. Sempre existe um
meio-termo. O revés pode ter um lado positivo, se você aproveitá-lo como uma
fonte de aprendizado e não como uma prova da sua incapacidade.
Afirmar-se
A auto-afirmação é a sua capacidade de expressar suas opiniões, seus desejos
e seus sentimentos, sem deixar de respeitar as opiniões, os desejos e os
sentimentos do outro. Acostume-se a dizer \"não\" sem agressividade,
pedir um favor sem se desculpar, responder calmamente a uma crítica. Quando você
deixa de contradizer o seu interlocutor por medo de que ele fique zangado, o que
acontece? Você volta para casa remoendo a conversa e imaginando como teria sido
se tivesse falado francamente. Sua auto-estima vai para o brejo. Não tema
desagradar.
Manifestar empatia
Ouça o que o outro, mesmo que você pense de modo diferente. Só assim é possível
falar, naturalmente, frases como: \"Entendo o que você quer dizer, mas
tenho outra opinião.\" As pessoas nos ouvem melhor se nós também somos
capazes de levar em conta o que elas nos dizem. Só tome cuidado para não
renunciar às suas convicções achando que dessa forma conquistará o afeto de
alguém. Escutar não é concordar.
Procurar apoio
Não tenha vergonha de pedir ajuda - a sensação de que você pode contar com
as pessoas ao seu redor é vital para a auto-estima. Aceite, porém, o fato de
que essa ajuda pode demorar um pouco. Entre em contato com seus amigos e
conhecidos sempre que puder - e não apenas quando está em dificuldades ou
precisa \"desabafar\". Ninguém agüenta muita reclamação.
Diversifique e amplie suas relações. Muitas vezes a ajuda vem de pessoas que não
são tão próximas assim.
BY RICARDORECIFE AND REYNENA
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