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| SOBRE A PARAPSICOLOGIA |
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| Conceito de Paranormal, Panorama Histórico, Panorama Fenomenológico,Considerações sobre Parapsicologia Experimental e Visão de Parapsicologia Aplicada |
CONCEITO DE PARANORMAL.
Paranormal é o fenômeno raro, incomum, que ocorre por mecanismos desconhecidos da Ciência atual. É o fenômeno que não pode ser classificado como "normal" nem como "anormal". Para maior compreensão, vejamos um exemplo: "o aluno, de repente, entrou em choque... Seus olhos pareciam vagos, distantes...Começou a descrever um incêndio que ocorria em sua casa, vários quilômetros de distância... Deu detalhes do incidente...Após alguns minutos, voltou ao normal saindo do transe...". Conforme podemos observar, poderíamos supor que o aluno em questão teve uma alucinação, sendo - então - uma ocorrência anormal, psicopatológica. Mas e se o incêndio realmente ocorrera? E se o aluno realmente estivesse tendo uma visão clarividente de sua casa a vários quilômetros de distância? Dessa forma, não seria alucinação... Mas, também, não poderia ser classificado de "normal", pois o nosso sentido de visão não possui o alcance quilométrico para detalhes desse tipo...Este é um exemplo, de vários relatos verdadeiros retirados da literatura parapsicológica, de clarividência...
No transcorrer da história vários relatos de ocorrências fantásticas foram observados... Fenômenos que sugeriam a existência de forças sobre-humanas, divinas, excepcionais... Fenômenos que eram, principalmente, abordados pelas religiões e/ou ocultismo.
A Ciência começou a se preocupar com tais fenômenos somente em meados do século XIX; Cientistas da época passaram a abordar a fenomenologia paranormal, tentando compreender suas causas. Contudo, a maior parte dos estudos eram de caráter qualitativo, dificultando até mesmo o reconhecimento da Parapsicologia como ramo científico.
Por volta de 1930, no Laboratório de Parapsicologia, da Universidade de Duke, nos EUA, Joseph Banks Rhine e sua equipe, obtiveram sucesso com as experiências quantitativas. Daí, até 1957, no Congresso de Utrecht, as pesquisas foram se desenvolvendo e culminaram com o reconhecimento da Parapsicologia como Ciência.
Hoje, fenômenos como telepatia (receber e transmitir informações de pessoa a pessoa), clarividência (ter visões de lugares externos distantes), precognição (conhecimento antecipado do futuro) e psicocinese (influência da mente sobre a matéria) são aceitos nos círculos parapsicológicos do mundo inteiro. Já fenômenos como poltergeist, materializações, viagens astrais, etc. continuam sendo catalogados e estudados - na medida do possível - pois não permitem métodos quantitativos de pesquisa.
PANORAMA HISTÓRICO
Várias são as divisões da história da Parapsicologia. Apenas com a finalidade didática, utilizaremos a classificação de Charles Richet (fisiologista francês, pesquisador da Parapsicologia do início do séc. XX): a)Período Mítico (do início dos tempos até 1778);b)Período Magnético (de 1778 a 1847); c)Período Espiritista (de 1847 a 1872) e d)Período Científico (de 1872 aos dias atuais).
a)Período Mítico (do início dos tempos até 1778):
Esse é o período mais amplo e difícil de ser estudado na história da Parapsicologia, pois tudo o que dispomos são evidências. Ao parapsicólogo cabe pinçar os possíveis fenômenos paranormais dos relatos, ensinamentos e descrições obtidos nos documentos antigos ou nas lendas e crenças então existentes. As religiões e o ocultismo são fontes ricas de informação.
Aqui cabe uma observação importante: a Parapsicologia aborda os fenômenos paranormais de forma científica, diferentemente das religiões e do ocultismo. No entanto pode haver confusões no tocante às interpretações dessas abordagens. Muitos utilizam a Parapsicologia como instrumento de defesa e/ou divulgação de uma determinada religião ou crença, o que é inadmissível... Ao parapsicólogo cabe estudar quaisquer religiões ou crenças, mas não se envolve com doutrinas nem promove a fé...O parapsicólogo quer conhecer fenômenos que possam interessar à Parapsicologia, estudá-los e catalogá-los... Quanto à interpretação que cada crença ou religião possue nada cabe ao cientista comentar. Sobre esse assunto, Alfred Still nos lembra que a religião admite forças extra-humanas e a elas sempre pede concessões (ex.:a oração); Já a magia, o ocultismo, apesar de admitir a existência dessas forças pretende dominá-las, usá-las em comando direto, domínio este obtido pelo treino. Apesar das diferenças, ambas - religião e magia - aceitam o homem como um acidente, pois as forças extra-humanas que as mesmas admitem, existiriam independentemente do homem. E aqui está a diferença fundamental entre Parapsicologia e religiões e/ou Ocultismo: Parapsicologia é uma ciência humana. O homem é o centro da fenomenologia paranormal, não sendo um mero acidente e, sim, o responsável direto pela manifestação dos fenômenos.
Nesse contexto há muitas fontes de estudo da paranormalidade: usos e costumes de povos antigos baseados nas descobertas antropológicas e arqueológicas; Documentos e tradições das grandes religiões tais como o Cristianismo, o Budismo, o Bramanismo, etc. e outras fontes.
b)Período Magnético (de 1778 a 1847):
O Período Magnético recebeu este nome graças a um médico vienense chamado Franz Anton Mesmer. Ele acreditava existir um fluído universal que podia curar. De acordo com Mesmer existe "uma influência mútua entre os corpos celestes, a terra e os corpos animados". Esta influência teria como agente de ligação o fluido universal que estaria, no corpo humano, ligado aos nervos, em capacidade análoga aos imãs. Por esta analogia é que o fluído de Mesmer ficou conhecido por Magnetismo e daí, também, o nome de período Magnético.
Uma sessão típica de Mesmer: os presentes ("pacientes") ao redor de uma bacia com água quando Mesmer chegava e, com sua varinha, "magnetizava" a água. Os pacientes, ao tocarem a água magnetizava, podiam entrar em estado de transe e, muitos, curavam-se imediatamente de muitos males.
Parte da comunidade de médicos e estudiosos não aceitava a Teoria Magnética de Mesmer o que deu origem a uma série de estudos sobre a Sugestão e o Hipnotismo. Hoje em dia sabe-se que uma grande parcela de males físicos pode ser sensivelmente melhorada (e, até mesmo, curada) pela sugestão ou resolução de conflitos psicológicos.
A grande contribuição de Mesmer foi chamar a atenção para determinados fenômenos de cura, antes legados à abordagens ocultistas, e tentar dar a eles uma vestimenta "científica".
c)Período Espiritista (de 1847 a 1872):
O Espiritismo cresceu como religião após uma série de acontecimentos que sugeriam uma intensa vida após a morte.O fato que detonou a grande onda espiritista ocorreu em 1847 na pequena cidade de Hydesville, Estado de Nova Iorque, nos EUA. Um pastor protestante, John Fox, com a esposa e duas filhas, mudaram-se para uma casa daquela cidade, cujo local era tido como "assombrado". Batidas inexplicáveis ocorriam nas paredes da casa. As filhas do pastor passaram a se divertir com o fenômeno e, por fim, estabeleceram um código: certo número de batidas correspondia a determinada letra do alfabeto e, assim, sucessivamente, numa correspondência biunívoca. Foi estabelecida, então, uma comunicação com o suposto espírito. Após várias mensagens, o "espírito" declarou que havia sido assassinado e enterrado no subsolo da casa. O governo norte-americano enviou duas expedições de escavação: a primeira nada encontrou e, tempos depois, uma segunda achou um esqueleto ao lado de uma pasta que continha documentos pessoais de um certo Charles Rossnan.
O caso das irmãs Fox detonou uma série de outros com características semelhantes. Em 1857, o professor francês Denizard Rivail escreveu seu famoso "Livro dos Espíritos". Esse livro, segundo Rivail, fora "ditado" por espíritos. A si mesmo atribuiu o nome de Allan Kardec, nome esse eternizado pela história do Espiritismo.
Cientistas da época estavam divididos em relação à causa dos fenômenos. Muitos acreditavam no Espiritismo e até buscavam uma forma da Ciência "reconhecer"o mundo espiritista. Já outros, céticos, atribuiam os fenômenos a fraudes descaradas ou, no máximo, a capacidades desconhecidas do ser humano que, não conhecendo as causas, atribuía a supostos espíritos seus efeitos.
Período Científico ( de 1872 aos dias atuais):
A onda espiritista chamou a atenção de vários cientistas famosos.Muitos deles estavam curiosos com as manifestações espíritas e se aproximaram do estudo dos fenômenos paranormais com a finalidade de - definitivamente - esclarecer se era uma grande fraude,se era uma manifestação espiritual ou se era uma nova área de fenômenos naturais, porém desconhecidos da Ciência.
A primeira grande investigação foi dirigida por Willian Crookes, famoso físico inglês. Esta investigação chegou a conclusão que diversos dos fenômenos chamados de "espíritas" realmente existiam e mereciam ser investigados mais profundamente. Crookes continuou com suas pesquisas, inclusive com uma médium - Florence Cook - que era o epicentro de sessões ectoplásmicas.
Assim como Crookes, outros cientistas dedicaram-se às pesquisas paranormais. Russel Wallace, Willian Barret, Henri Sidgwick, Myers, Oliver Lodge, MacDugall e outros. Em 1882 foi fundada a tradicional SPR-Society for Psychical Research,em Londres. Logo depois, em 1885, fundou-se a SPR americana.
Inúmeros trabalhos surgiram como frutos das pesquisas empreendidas. Uns defendiam o Espiritismo, outros condenavam.Um dos grandes expoentes dessa época foi o fisiologista francês Charles Richet, autor do famoso "Tratado de Metapsíquica ".
O grande problema das pesquisas da época estava no método. Todas as pesquisas eram qualitativas. Não levavam em conta a repetição dos experimentos, pois os fenômenos são de caráter fugidio, impossíveis de serem reproduzidos à vontade. A comunidade científica começou a entender que o sucesso da Parapsicologia como ciência dependeria - necessariamente - de novos métodos que a aproximassem mais das outras ciências. Várias tentativas foram realizadas para sistematizar os experimentos, mas, em sua maioria, fracassaram.
A partir de 1930, o Laboratório de Parapsicologia da Universidade de Duke, nos EUA, sob a coordenação de Joseph Banks Rhine, passou a realizar uma série de experimentos baseados em princípios estatísticos. As mais famosas experiências foram realizadas com o baralho Zener. Este baralho é composto de 25 cartas, com cinco diferentes símbolos (ou seja, cinco cartas de cada tipo). Os símbolos são: ondas, estrela, quadrado, cruz e círculo. após misturar aleatoriamente as cartas, os testes procuram avaliar a capacidade de percepção extra-sensorial dos avaliados.
As experiências em Duke conseguiram aproximar a Parapsicologia das demais ciências. No Congresso de Utrecht, em 1953, a Parapsicologia foi coroada como Ciência.
PANORAMA FENOMENOLÓGICO.
Muitos são os fenômenos citados na Literatura Parapsicológica; várias escolas utilizam diversas terminologias e, até mesmo, os autores adotam classificações fenomenológicas distintas.
Como o objetivo aqui é fornecer um panorama da fenomenologia, abordaremos as ocorrências mais comumente relatadas pela comunidade parapsicológica.
1o.) Fenômenos Sujetivos: São aqueles que ocorrem na mente do sensitivo. São conhecidos como fenômenos de P.E.S.-Percepção Extra-Sensorial. São eles:
*Telepatia : percepção de pensamentos e/ou sentimentos de outra(s) pessoa(s);
*Clarividência: percepção de ocorrências em lugares distantes;
*Precognição: percepção de fatos futuros.
Observação: É evidente que as percepções acima citadas só são consideradas paranormais quando excluídas quaisquer possibilidades de ocorrerem causadas por agentes físicos. Esta é uma área de estudo da Parapsicologia, chamada de Fenômenos Pseudo-Paranormais.
2o.) Fenômenos Objetivos: São aqueles que sugerem a influência direta da mente sobre a matéria. São eles:
*Movimentação de objetos : objetos que vão de um cômodo a outro da casa; objetos que se deslocam no ar, etc.
*Ruídos : sons e ruídos de vários tipos;
*Específicos : relógios que param em determinada hora, mensagens escritas misteriosamente, etc.
3o.) Fenômenos Complexos: São aqueles que manifestam vários fenômenos dentro de um mesmo contexto.
*Poltergeist : casas "infestadas", onde ocorrem fenômenos de movimentação de objetos, ruídos, parapirogenia (combustão espontânea) e outros.
*Possessões : a pessoa possuída pode manifestar vários fenômenos Objetivos e Subjetivos.
CONSIDERAÇÕES SOBRE PARAPSICOLOGIA EXPERIMENTAL.
Jogo Completo Zenner: 25 cartas.
A Parapsicologia Experimental possui abordagens qualitativas e quantitativas. A qualitativa concentra-se em experimentos que não permitem a repetição. É uma abordagem que exige registros apurados e um acompanhamento zeloso, estrito e altamente documentado.
Já a abordagem quantitativa privilegia o controle de variáveis, a exatidão nos experimentos, a capacidade da experiência ser repetida em qualquer laboratório e as análises estatísticas.
A seguir apresentamos os cálculos básicos para experimentos com Cartas Zener.
Considere as seguintes convenções:
p = probabilidade de ocorrência de uma determinada carta, ou seja, 0,2
q = probabilidade de não ocorrência de uma determinada carta, ou seja, 0,8
Er= número de ocorrências obtidas no experimento.
Ec= número de ocorrências esperadas pelo acaso.
n = número de tentativas.
d = desvio.
DP= desvio-padrão.
RC= razão crítica.

O valor apurado na Razão Crítica será o parâmetro de significância do experimento. Se o valor for igual ou menor que 2,57 o experimento não é significativo em termos de PES, ou seja, não sugere a presença de paranormalidade. Já a Razão Crítica superior a 2,57 sugere a existência de paranormalidade.


RESPOSTA: Como a razão crítica foi de 2,5 (portanto, abaixo do limite de 2,57) concluímos que o experimento não sugere a existência de paranormalidade.
OBSERVAÇÃO: Os experimentos quantitativos supõem o rigoroso controle das seguintes variáveis: embaralhamento aleatório, impossibilidade de fraudes conscientes ou inconscientes (hiperestesias).
VISÃO DE PARAPSICOLOGIA APLICADA.
A Parapsicologia pode ser utilizada para uma série de atividades:
Na Medicina: Com o desenvolvimento de métodos de utilização da energia psicobiofísica, pode-se vislumbrar tratamentos de doenças, auxílio em diagnósticos, etc.;
Na Pesquisa em Geral: Com métodos radiestésicos, inclusive com a utilização de pêndulos, pode-se implementar buscas e pesquisas de diferentes espécies como, por exemplo, na área policial, localizar pessoas desaparecidas; ou, na área arqueológica, na descoberta de sítios, etc.;
Na Educação: Fornecendo novos meios de aprendizagem e, até, explorando canais perceptórios desconhecidos.
A Parapsicologia vislumbra uma grande área de atuação. Provavelmente contribuirá, e muito, com a evolução no séc. XXI.
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