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I Ching
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| I CHING |
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| O FANTÁSTICO ORÁCULO CHINÊS |
O I CHING é um tradicional oráculo chinês. Nele se obtém inspiração para se entender o momento em que se vive, quais os passos mais adequados nesse momento e o que as ações realizadas no presente significarão no futuro. Ao consultar o I CHING é necessário adotar uma postura meditativa, tentar compreender, em toda sua extensão, a mensagem. Quando este tradicional oráculo sugere que "é aconselhável ver o grande homem", o consulente deve refletir e localizar em seu micro universo o significado de "ver o grande homem". Seria conversar com alguém mais experiente? Seria dialogar com o chefe? Ou, talvez, um professor? Só saberá a resposta correta, o próprio consulente. O I CHING propicia os meios para essa reflexão, dando as indicações de forma genérica... a intuição do consulente deve levá-lo às ações mais apropriadas...
Para entender o I CHING mais amplamente é necessário conhecer um pouco da cultura chinesa. A natureza mítica com a qual os chineses encaram o passado, as relações especiais que os mesmos têm com os conceitos de tempo e espaço e outros fatores culturais fizeram do I CHING um método bastante utilizado.
Vamos começar a explorar esse universo oriental conhecendo um pouco do panorama histórico chinês.
PANORAMA HISTÓRICO DA CHINA.
A história da China parece ter iniciado com o aparecimento do Sinanthropus Pekinenses (o homem de Pequim) há cerca de 500.000 anos atrás. A longa jornada desse homem primitivo até 3.000 a.C. ainda não é conhecida... O que se sabe é, que por volta dessa última data, já haviam alguns agricultores sedentários e criadores de gado semi-nômades no que se conhece por território chinês.
PRIMEIRAS CULTURAS: A tradição chinesa estabelece o ano 2852 a.C. como o início de sua história. Começa daí os Três Soberanos e os Cinco Governantes. Esses reis míticos foram responsáveis pela construção de casas, pela agricultura organizada e pelo aprendizado do domínio do fogo. Reza ainda a tradição, que a esposa do Imperador Amarelo, descobriu e introduziu a cultura do bicho da seda, segredo guardado por vários séculos na China, o que ensejou várias missões de espionagem de outros povos desvendar o bem guardado segredo.
DINASTIA XIA: Depois dos Cinco Governantes, seguiu-se a fundação da I Dinastia Chinesa, a Dinastia Xia. As datas atribuídas a essa Dinastia vão de 2205 a 1766 a.C. Rezam as tradições que a Xia foi iniciada pelo Grande Yu, benfeitor da época que estimulou o desenvolvimento de uma série de benefícios coletivos, como o controle das enchentes e a irrigação dos campos. Contudo, não existe nenhuma prova arqueológica conhecida que comprove essas tradições históricas conservadas pelos chineses.
DINASTIA SHANG: Anyang é a área conhecida como o berço da civilização chinesa. Entre 1928 e 1937, escavações nesta região encontraram cerca de 100 mil ossos de bois, veados e carapaças de tartarugas. Conhecidos como "ossos divinatórios", pois os antigos chineses deles se utilizavam para práticas oraculares, continham uma série de caracteres. Esses ossos datam de, aproximadamente, 1.300 a.C. e os caracteres neles encontrados parecem constituir a mais antiga forma de escrita chinesa.

Além desses ossos divinatórios foram encontrados diversos túmulos, vasos de bronze e outros objetos que transmitem a idéia de uma civilização de grande esplendor e violência. Os reis eram sepultados em grandes túmulos, com várias rampas subterrâneas. Sob o caixão um cão era sacrificado e depositado, juntamente com numerosos tesouros. Até mesmo carros de combate, com cavalos e cocheiros, eram enterrados também. Além disso, grupos de dez vítimas - prisioneiros de guerra - ocupavam, também, o sarcófago real.
A religião chinesa era baseada no culto aos antepassados e no culto aos espíritos que habitavam a natureza. A pessoa possuia duas almas: PO, a alma da vida; e HUN, a alma espiritual. Ambas poderiam ser mantidas vivas, mesmo depois da morte do corpo, se os descendentes fizessem sacrifícios que as alimentassem. PO poderia decair e desaparecer com o tempo; HUN poderia ser mantida indefinidamente, desde que convenientemente lembrada através de sacrifícios. HUN até poderia tornar-se uma divindade de grande poder, capaz de responder questões de importância aos seus descendentes. O culto da alma dos ancestrais ocupou papel tão importante na China que, em algumas comunidades, o SER SUPREMO era o ANCESTRAL SUPREMO, ou seja, o antepassado mais antigo e, portanto, mais comum a todos. Os textos históricos para descrever a queda de um reino ou dinastia, frequentemente, eram "Interromperam-se os sacrifícios...".
O culto aos ancestrais era privilégio de famílias da elite ( reis e altos funcionários). Parece que não havia sacerdotes com poder e influência. Os cultos eram dirigidos pelo próprio chefe da família ou por funcionários do Estado. As camadas populares, desprovidas de importância, sequer tinham sobrenome, portanto não cultuavam ancestrais.
DINASTIA ZHOU (1027 - 221a.C.): As tradições chinesas estabelecem 1027 a.C. como a data da queda da Dinastia Shang. Uma tribo guerreira, dirigida pelos reis Wen e Wu, conquistou e ocupou o território dirigido pelos Shang. A derrota aos Shang foi obtida pela "vontade do Céu" e frequentemente se estabelecia o contraste entre a violência e iniquidade do último soberano Shang e a imensa bondade dos reis Wen e Wu.
Na Distania Zhou parece ter havido uma grande evolução no território chinês. As inscrições no bronze eram mais variadas e ricas, o que sugere um bom desenvolvimento da escrita. Havia compêndios de rituais e músicas, manuais de arco e flecha, escritos históricos e outros. A primeira etapa da dinastia Zhou foi conhecida como período Zhou Ocidental. Em 841 a.C. uma revolta popular depôs o rei e os especialistas consideram essa a primeira data segura da história chinesa. A transferência da capital do vale do rio Wen para uma região mais a leste , perto de Luoyang, abriu o que se designou período Zhou Oriental.
Aos poucos, os reis da Dinastia Zhou foram tornando-se figuras decorativas sem qualquer poder de mando nas diversas cidades-estados. Seguiu-se um período de guerras internas, buscando uma supremacia regional entre as diversas cidades. Uma dessas cidades-estados, dirigida por Qin, assumiu o poder na China em 221 a. C. , dando início à dinastia Qin (221 - 206 a.C.) que após novas desordens internas foi sucedida pela Dinastia Han (206 - 221 d.C.).
I CHING.
A tradição chinesa atribue a um herói lendário, FU HSI, que parece ter sido Imperador em 3000 a.C. e considerado o fundador da civilização chinesa, a criação dos oito TRIGRAMAS (conjunto de três linhas) e suas combinações, em 64 HEXAGRAMAS (conjunto de seis linhas), que constituem o LIVRO DAS MUTAÇÕES, ou I CHING. Aperfeiçoado, depois, pelo rei Wen, que acrescentou os Julgamentos e, depois, ainda por Wu, que contribuiu com os comentários das linhas móveis (ou mutáveis), o I CHING parece destacar-se como um verdadeiro espelho das concepções do pensamento chinês em relação ao universo. Não trata apenas do futuro, como método divinatório, mas procura divulgar uma ética no presente e estabelece que a ação deve acompanhar os eternos ciclos universais de avanço e retirada, progresso e retrocesso. O I CHING foi, ainda, enriquecido pelos Comentários atribuídos a Confúcio
OS OITO TRIGRAMAS:

A associação destes oito trigramas formam os 64 hexagramas, que constituem o I CHING. Cada hexagrama representa um momento universal. Ao consulente é mostrada sua posição, no momento da consulta, e qual a melhor alternativa: agir, não agir, cautela, ausência de riscos, etc.
OS HEXAGRAMAS.
01.CH`IEN: O CRIATIVO. A força inicial. O impulso gerador. Persevere, agindo com justiça. Sucesso.
02.K`UN: O RECEPTIVO. É o princípio da aceitação. Saiba ouvir e aproveite os sinais que a vida dá.
03.CHUN: A DIFICULDADE DO INÍCIO. A implantação é difícil. Mas as perspectivas são boas. Persevere.
04.MENG: A INEXPERIÊNCIA. A vontade de aprender pode levar à sabedoria. Saiba ouvir. Não seja impertinente.
05.HSU: A ESPERA. Não é o momento. Aguarde e acumule energias para a hora certa.
06.SUNG:O CONFLITO. Cautela. É necessário superar o conflito. O sábio avança e recua conforme a situação. Saiba dialogar.
07.SHIH: O EXÉRCITO. As guerras devem acontecer por causas justas. A guerra pela guerra não é prudente. Seja disciplinado e planeje.
08.PI: A UNIÃO. A união é força; o isolamento, fraqueza. Seja solidário.
09.HSIAO CH`U: A FORÇA DO SUAVE. A paciência e a tolerância são suaves e penetrantes. São forças poderosas. Concentre-se nas pequenas batalhas. Não é o momento de grandes projetos.
10. LU: A CONDUTA. A retidão e a amabilidade são as condutas corretas mesmo nos caminhos mais tortuosos. O respeito a si e aos outros encontra sucesso.
11. T`AI: A PAZ. Período de tranquilidade. O bem intencionado obterá sossego e sucesso.
12. P`I: A ESTAGNAÇÃO. A hora é de dificuldade. Reflita e busque dentro de si a saída mais digna.
13. TUNG JÊN:A FRATERNIDADE. Afaste-se de interesses individuais e menores. A fraternidade obterá êxito.
14.TA YU: A GRANDE FORÇA. A bondade e a lucidez são as verdadeiras forças e abrem todos os caminhos.
15. CH`IEN: A HUMILDADE. O alto e baixo se alternam. Quem estiver por baixo receberá ajuda; quem estiver por cima, deve ser humilde.
16. YU: O ENTUSIASMO. As tensões desaparecem e o entusiasmo gera perspectivas excelentes.
17. SUI: O SEGUIR. Não se oponha aos acontecimentos. Às vezes, compensa se deixar levar.Fique atento.
18. KU: A REAÇÃO. Reflita e corrija o que estiver errado.
19. LIN: A APROXIMAÇÃO. Deixe que outros se aproximem. Período favorável.
20. KUAN: A CONTEMPLAÇÃO. Cuidado. Reflita para obter a compreensão da situação.
21. SHIH HO: A MORDIDA. Os maus devem ser punidos. É hora de vencer resistências.
22. PI: A BELEZA. Sucesso nos assuntos de pequena monta. A beleza alegra a vida.
23. PO: A DESINTEGRAÇÃO. Momento de perigo. Aguarde. Há forças que procuram minar a resistência internamente. Mantenha-se firme.
24. FU: O RETORNO. Após a tempestade vem a bonança. É o momento de traçar novos planos.
25. WU WANG: A SIMPLICIDADE. As coisas simples e naturais são os melhores guias.
26. TA CH`U: A FORÇA DO FORTE. É o momento de agir com segurança, determinação e sabedoria. Siga sábios conselhos.
27. I : O ALIMENTO. A boa alimentação equilibra o corpo e o espírito.
28. TA KUO: O IMPÉRIO DOS FATOS. Não se deixe intimidar. É necessário ter ânimo e coragem para superar fortes obstáculos. Admita o perigo e estude a melhor forma de lidar com ele.
29.K`AN: O ABISMO. Seja forte. Nas adversidades se conhece o valoroso. Seja tenaz e cuidado com as ciladas.
30. LI: A LUZ. Siga o caminho apontado por aquilo que brilha. Atingindo o sucesso não esqueça daqueles que permanecem nas sombras.
31. HSIEN: A ATRAÇÃO. É o momento de novas relações. Esteja pronto para dar e receber.
32. HENG: A DURAÇÃO. Tudo tende ao equilíbrio. A constância e a fidelidade são aconselháveis.
33. TUN: A RETIRADA. É prudente recuar se o momento é perigoso. Concentre a energia para a hora certa.
34. TA CHUANG: O PODER. Grande força física e mental. Use-a com justiça.
35. CHIN: O PROGRESSO. A fidelidade e a amizade fazem grandes progressos.
36. MING I: O OBSCURECIMENTO. Prudência. Preserve a integridade interior. Neste momento a sinceridade exterior é inútil.
37. CHIA JEN: A FAMÍLIA. Seja compreensivo e firme. Cada um na família tem o seu papel.
38. K`UEI: A OPOSIÇÃO. Mantenha a posição. O confronto será benéfico. Haverá progresso, mesmo que demore.
39.CHIEN: O OBSTÁCULO. Qualquer ação poderá ser insensata. Reflita.
40. HSIEH: A LIBERAÇÃO. O paciente verá as dificuldades indo embora.
41. SUN: A PERDA. Concentre-se no indispensável. Perde-se de um lado, ganha-se de outro.
42. I : O ACRÉSCIMO. A melhora deve ser tanto material quanto espiritual.
43. KUAI: A DECISÃO. O sucesso está próximo. Atue com determinação.
44. KOU: O ENCONTRO. Não seja enganado. Olhe para além das aparências. Cuidado com aqueles que se passam por amigos.
45.TS`UI: A REUNIÃO. É aconselhável reunir-se com outros. A união exige renúncias, mas as perspectivas são boas.
46.SHÊNG:A ASCENÇÃO. A ascenção é lenta mas segura. Estabeleça objetivos claros.
47. K`UN: A OPRESSÃO. Não se precipite.O momento é de espera até melhores condições.
48. CHING: O POÇO. Procure a verdade na essência.Ela é imutável.
49. KO: A REVOLUÇÃO. É hora de mudar. Faça as mudanças, porém, com cuidado para não prejudicar ninguém.
50. TING: O CALDEIRÃO. É hora de avaliar o que foi realizado.
51. CHÊN: O TROVÃO. Algo inesperado se aproxima. Coloque as idéias e as ações em ordem. A situação será dominada.
52. KÊN: A PARADA: A inação, muitas vezes, é necessária. É hora de parar e tranquilizar-se.
53. CHIEN: O DESENVOLVIMENTO. É preciso agir, contudo controlando o entusiasmo.
54. KUEI MEI: A JOVEM QUE SE CASA. Saiba distinguir o efêmero do definitivo.
55. FÊNG: A PLENITUDE. Aproveite o momento. Plenitude. Riqueza e sorte. Não esqueça que os momentos plenos são substituídos pelos tempos difíceis. É a roda universal.
56. LÜ: O VIAJANTE. A viagem é provisória.Não tenha planos. Seja discreto longe de casa.
57.SUN: O VENTO QUE PENETRA. A delicadeza e a persuasão são armas poderosas. O vento afasta as nuvens e o sol aparece.
58. TUI: A SERENIDADE. Tempos de harmonia. Compartilhe com os amigos.
59. HUAN: A DISPERSÃO. O egoísmo, a desconfiança e o orgulho excessivo afastam as pessoas.
60. CHIEH: A LIMITAÇÃO. Excessos são perigosos. Aquele que souber se conter (impulsos e palavras) terá sucesso.
61. CHUNG FU: A SINCERIDADE. Respeito aos outros. Honestidade e integridade são as bases de relações duradouras.
62. HSIAO KUO: O AVANÇO DO PEQUENO. Contente-se com as pequenas coisas. Seja modesto e escrupuloso. A persistência será recompensada.
63. CHI CHI: APÓS A CONCLUSÃO. O sucesso está no ponto mais alto. Cautela. Toda ação deve ser bem estudada.
64. WEI CHI: ANTES DA CONCLUSÃO. Mudanças. O caminho é difícil e cheio de responsabilidades. A roda do tempo gira.
ATENÇÃO: Os hexagramas citados têm muito mais conteúdo; fizemos, tão somente, uma descrição livre e simplista de cada um. O interessado deve adquirir, em qualquer boa livraria, o I CHING e poderá observar a riqueza dos comentários em cada um dos hexagramas.
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