O MAL ESTAR NA CIVILIZAÇÃO - PARTE II
Finalmente, uma situação extrema: a fuga da realidade através da loucura, dos delírios e da perda da razão. O indivíduo cria um mundo interior onde sua comunicação passa a girar em torno de um sistema de simbólico que apenas ele consegue conferir sentido. Tal processo também ocorre na esfera coletiva: o delírio coletivo é representado pela religião, que também cria um outro mundo, a fim de maquiar as contradições do mundo que de fato existe.
O Nazismo e o Fascismo constituem excelentes exemplos históricos de delírios coletivos, onde praticamente toda uma nação embarcou, gradativamente, na loucura de insensatos e insanos ditadores. A existência de tais movimentos - que revelam processos de delírios coletivos - constitui evidências que contribuem para endossar, confirmar e reforçar as idéias da obra O Mal Estar na Civilização (1929), pois podemos considerar o movimento Nazi-fascista (1932) - que provocou a Segunda Grande Guerra (1939) - como o resultado explosivo de todo um processo histórico de formação deste mal estar, individual e coletivo, sentido pelos homens no decorrer da História. Enfim, o acúmulo histórico do mal estar provocando respostas claras: Grandes Guerras Mundiais.
A fuga através das drogas que embotam nossa capacidade de sentir o sofrimento, tanto físico como espiritual. Enfim, segundo o próprio Freud, todos nós, em nível individual ou coletivo, usamos ao longo de nossas vidas, algumas dessas soluções.
O autor cita o amor, ou seja, o direcionamento das pulsões libidinais instintivas para um objeto adequado de geração de prazer, como uma das formas mais eficientes de minimizar a castração natural dos instintos, ou seja, minimizar o sentimento primordial de perda com o qual todos nós somos permanentemente obrigados a nos deparar para mantermos a chama de nossa complexa civilização acesa. Encontrar um parceiro pode ser muito eficiente para superar a frustração trazida pelo sentimento de incompletude inerente a cada ser humano, devido à própria ineficiência em atender aos nossos impulsos instintivos básicos que, por sua vez, precisam ser controlados a fim de que exista sociedade, cultura, progresso, etc.
"No auge do sentimento de amor, a fronteira entre o ego e objeto ameaça desaparecer. Contra todas as provas de seus sentidos, um homem que se ache enamorado declara que eu e tu são um só, e está preparado para se conduzir como se isso constituísse um fato. Aquilo que pode ser temporariamente eliminado por uma função fisiológica (isto é normal) deve também, naturalmente, estar sujeito a perturbações causadas por processos patológicos".
Por outro lado, certas formas de superar o sofrimento seriam procuradas pelas pessoas narcísicas, totalmente voltadas para a auto-realização, que difere em número e grau de outras formas que seriam preferidas pelas pessoas que buscam realização através das suas relações com os outros.
Todas as formas de superar o sofrimento têm graves desvantagens. O amor, caracterizando sua faceta instável, pode facilmente se transformar em dor com a perda do parceiro. A realização artística ou científica depende de talentos e habilidades individuais sejam elas inatas ou posteriormente desenvolvidas. A religião infantiliza permanentemente o crente, debilitando sua capacidade crítica de lidar com a realidade objetiva que se lhe apresenta. As drogas, tanto lícitas quanto ilícitas, cobram seu caro preço devido aos efeitos colaterais que provocam, acarretando, com o tempo, a própria degradação física e moral do indivíduo. Além disto, existe um aspecto socialmente negativo gerado pelas utilização das drogas, posto que, em nosso atual contexto, ela em muito contribui para incentivar o aumento da violência, em todos os sentidos, provocada pela repressão que se tenta fazer às mesmas.
Portanto, felicidade, segundo Freud, é a realização imediata de um impulso instintivo, através de certas leis que regem o princípio do prazer humano. Nada a supera a felicidade, mas, infelizmente, ela se encontra invariavelmente condenada a não durar muito tempo: não existe como satisfazer completamente por muito tempo a castração dos instintos provocada pela nossa peculiar necessidade viver em sociedades que, para sua própria sobrevivência, precisam gerar uma série de sofisticados produtos culturais.
"O que decide o propósito da vida é simplesmente o programa do princípio do prazer. Esse princípio domina o funcionamento do aparelho psíquico desde o início. Não pode haver dúvida sobre sua eficácia, ainda que o seu programa se encontre em desacordo com o mundo inteiro, tanto com o macrocosmo quanto com o microcosmo. Não há possibilidade alguma de ele ser executado; todas as normas do universo são-lhe contrárias. Ficamos inclinados a dizer que a intenção de que o homem seja feliz não se acha incluída no plano da Criação".
Por Elias Celso Galvêas
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http://maxpages.com/elias/O_Mal_Estar_na_Civilizacao_I
Bibliografia
Internet - mecanismo de busca www.google.com; referência para a pesquisa, digitar: O Mal Estar na Civilização. Sites variados (da página 1).
Livros: O Mal Estar na Civilização e o Futuro de uma Ilusão, ambos de Sigmund Freud.
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