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O Mal Estar na Civilização
Considerações preliminares sobre a obra de Sigmund Freud - parte I


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“O Mal Estar na Civilização” (1929)
Sigmund Freud

• Professora: Elisa Teixeira
• Aluno: Elias Celso Galvêas – PUC-RJ
• Disciplina: “Contribuições da Psicanálise à Prática Psicopedagógica”.
• Data: 09/06/2003


“O Mal Estar na Civilização”
Por Elias Celso Galvêas – PUC-RJ
Introdução – “sentimento oceânico”, religiosidade e religião

Nesta interessante obra, Freud tenta por em prática o seu método psicanalítico para tentar entender as razões naturais do sofrimento humano, e a amplificação deste mesmo sofrimento gerado pela cultura civilizatória.

O seres humanos necessitam organizar-se em sociedades a fim de se defender da própria natureza que o agride permanentemente e sem piedade, desde os primórdios de sua existência terrena. Daí, surge um grande dilema: o próprio esforço realizado pelo homem para que se torne possível a vida em sociedade - sociedades estas que tenderão a evoluir para civilizações - representa um enorme entrave para a felicidade humana.

Com isto, no decorrer de alguns séculos, tais sociedades, por sua vez, tranformam-se em complexas civilizações, onde o homem surpreendentemente se vê assediado por uma série de sofrimentos ainda maiores do que os oferecidos pela natureza na aurora de sua existência.

Com o advento da cultura civilizatória - conquistada e mantida por meio de um rigoroso investimento psíquico por parte de cada indivíduo -, os problemas que assolam a humanidade parecem se multiplicar, trocando apenas de roupagem: agora com o pleno controle da natureza, adquirido graças à conquista civilizatória, encontramos-nos, nós, frágeis homens, novamente no mesmo dilema: promover periodicamente uma reestruturação dinâmica de nossas pulsões psíquicas a fim de minimizar os conflitos gerados pelo "princípio do prazer" (instintos pulsionais) em permanente oposição ao "princípio da realidade". Evidentemente, em indivíduos mentalmente saudáveis, este necessário controle pulsional objetivará a permanente minimização do sofrimento, posto que, com esta movimentação, tentamos conciliar o relacionamento do Ego com a realidade externa, tornando harmoniosa, na medida do possível, a inter relação existente entre o próprio ego e os impulsos instintivos de satisfação imediata dos desejos oriundos do Id.

Cuidadosamente, Freud tenta estabelecer referenciais teóricos para demonstrar que o "grande maestro regente" de nosso mal estar civilizatório reside na cultura, mais especificamente no aspecto religioso da mesma.

Para atingir seu objetivo, Freud procura distinguir a "religião formalmente instituída" e aceita pelas massas ignorantes, do conceito de "religiosidade" (o sentimento oceânico inato e inerente a todo homem). Ao mesmo tempo, procura conferir uma resignificação à tão desgastada e mal compreendida palavra "amor", distinguindo, dessa forma, o "amor crístico" em contraste com o "amor libidinal", ou seja, o "amor moralista" pregado pela religião, em contraste com a "pulsão de vida" (eros), responsável pela renovação e fluxo da energia da libido (libido = 'lieb' + 'Id' <==> lieb = amor + Id = Ser, coisa).

Segundo o próprio Freud, no primeiro capítulo de “O Mal Estar na Civilização” (segundo parágrafo):

“(...). Enviei-lhe o meu pequeno livro que trata da Religião como sendo uma ilusão ['O Futuro de uma Ilusão (1927)'], e ele [Romain Rolland, amigo de Freud] me respondeu que concordava inteiramente com esse meu juízo, lamentando, porém, que eu não tivesse apreciado corretamente a verdadeira fonte da religiosidade. Esta, diz ele, consiste num sentimento peculiar, que ele mesmo jamais deixou de ter presente em si, que vê confirmado por muitos outros e que pode imaginar atuante em milhões de pessoas. Trata-se de um sentimento que ele gostaria de designar como uma sensação de ‘eternidade’, um sentimento de algo ilimitado, sem fronteiras –‘oceânico’, por assim dizer. Esse sentimento – acrescenta - configura um fato puramente subjetivo, e não um artigo de fé; não traz consigo qualquer garantia de imortalidade pessoal, mas constitui a fonte da energia religiosa de que se apoderam as diversas Igrejas e sistemas religiosos (...). Acredita ele que uma pessoa, embora rejeite toda crença e toda ilusão, pode correta-mente chamar-se a si mesma de religiosa com fundamento apenas nesse sentimento oceânico”.

Sigmund Freud em “O Mal Estar na Civilização”.



Nos Primórdios da Obra

“Freud e Romain Rolland só se encontraram uma vez, em 1924, em Viena, por intermédio do amigo comum Stefan Zweig. Quando em 1927 Freud remeteu a Romain Rolland o livro ‘O futuro de uma ilusão’, no qual a religião é tratada como uma ilusão, este se contrapôs às idéias do criador da psicanálise, referindo-se a uma sensação de eternidade, algo como um ‘sentimento oceânico’, entendendo-se este sentimento imenso como uma ‘verdadeira fonte da religiosidade’. Freud retrucou, por sua vez, em seu livro ‘Mal-estar na civilização’ (1929-30): ‘Não consigo descobrir em mim este sentimento oceânico”.

(...)

Visita à Grécia com o irmão ocorreu em 1904

Nesta carta a Romain Rolland, Freud tenta compreender um fenômeno ocorrido em 1904, que, mais de 30 anos depois, passara a assediar sua mente. Todos os anos, em fins de agosto, Freud costumava viajar nas férias com seu irmão mais novo. Naquele ano de 1904, os dois irmãos foram a Trieste, e de lá a Atenas e à Acrópole. Em Trieste, experimentam um estado de ânimo deprimido. Em Atenas, um pensamento surpreendeu Freud: "Então tudo isso realmente existe mesmo, tal como aprendemos no colégio!".

O que inquietou Freud foi -- lembra Glaucia - por que sentiu desprazer na visita à Acrópole quando a realização deste desejo tão antigo só deveria lhe trazer felicidade. Por que a incredulidade com relação a algo que promete elevado grau de prazer? A resposta de Freud é: "o sofredor não se permite a felicidade". Glaucia centra-se na leitura da obra de Freud, mostrando como o mestre de Viena foi se descolando da ética positivista, cientificista, para atingir uma concepção trágica da existência, do modo como Lacan formulou no "Seminário VII -- A ética da psicanálise". Segundo Lacan, o "Mal-estar na civilização" é obra definitiva no que diz respeito à questão ética, uma vez que evidencia que a felicidade é mesmo que deve ser proposto como termo a toda busca, por mais ética que seja. Mas para esta felicidade não há nada absolutamente preparado, nem no macrocosmo nem no microcosmo. É por isso que a ética da psicanálise implica uma dimensão trágica da vida, porque, se por um lado deve visar a uma aproximação do sujeito em relação ao desejo e a um distanciamento do divino, por outro deixa bem claro que não há realização (plena) de desejo e que psicanálise não tem nada a ver com adaptação ao que o senso comum chama de realidade. Ser bem sucedido na vida, do modo como o conformismo burguês o propõe, são outros quinhentos – [e seria um enorme reducionismo por parte da psicanálise se esta tivesse apenas como objetivo a adequação da perso-nalidade do indivíduo para a adequada convivência dentro de determinado sistema social].

O que percorre todo o texto da Acrópole é o pensamento de Freud de que fora capaz de chegar muito longe: não só chegou à Acrópole, como também criou a psicanálise. Só que isto se liga ao reconhecimento dos limites ao saber humano e à felicidade. A partir do livro de Glaucia, podemos dizer que Freud foi vencedor porque criou a psicanálise e assim ‘chegou tão longe’. Mas perdedor também, porque isto não o livrou do sofrimento. Ao concluir a carta a Romain Rolland, Freud reconhece o quanto a lembrança do mal-estar sentido na Acrópole o perturbava ainda, sobretudo depois que envelhecera, e tinha que ter paciência e aceitar que não podia mais viajar.

Em 1936, Freud estava de fato próximo da morte e debilitado após mais de uma década lutando contra o câncer. Glaucia Dunley faz este pequeno texto de Freud render um livro com muitas qualidades. A primeira delas: é bem escrito, ao contrário da maioria dos estudos do campo psicanalítico. Mais: faz um recorte preciso dos escritos de Freud e demonstra com profundidade a tese de que de fato a psicanálise passou por uma transformação radical nas mãos do próprio Freud. Ele mesmo sabia disso, e afirmou:‘No começo, a psicanálise supôs que o Amor tinha toda a importância. Agora sabemos que a Morte é igualmente importante. A vida e a morte habitam lado a lado dentro de nós’ “.

SÉRGIO NAZAR DAVID é professor de literatura portuguesa na Uerj
Publicado no Jornal "O Globo", Rio de Janeiro, seção Prosa & Verso, edição de 16-02-02

Ainda no capítulo I do texto “O Mal Estar na Civilização”, no final do terceiro parágrafo, Freud acrescenta:

“(...) Segunda a minha própria experiência, não consegui convencer-me da natureza primária desse sentimento; isso, porém, não me dá o direito de negar que ele de fato ocorra em outras pessoas. A única questão consistem em verificar se está sendo corretamente interpretado e se deve ser encarado como a ‘fons et origo’ [a fonte e a origem] de toda a necessidade de religião”.

A partir desse ponto, partindo da premissa acima destacada, Freud começa a sua investigação, conferindo, meticulosamente, aos fatos, uma visão sistêmica do problema, traçando uma cadeia lógica de causas e feitos, sempre sob o enfoque profundo da abordagem psica-nalítica por ele elaborada. Com esta abordagem original, Freud consegue evitar o tradicio-nal senso comum (doxa), bem como as armadilhas do pensamento dogmático (fé), tendo o cuidado de fundamentar suas análises através de uma abordagem – se não mais científica – ao menos mais sistemática, objetiva e, portanto, mais livre de preconceitos de cunho moralistas (culturais) ou dogmáticos (religiosos).


No parágrafo quarto do capítulo I (9ª linha), Freud alega:

“Normalmente, não há nada de que possamos estar mais certos do que do sentimento de nosso ‘eu’, do nosso próprio ego. O ‘ego’ nos aparece como autônomo e unitário - distintamente demarcado de todo o resto. O fato de essa aparência ser enganadora – e de que, pelo contrário, o ‘ego’ é continuado para dentro, sem qualquer delimitação nítida, por uma entidade mental inconsciente que designamos como ‘id’ à qual o ego serve como uma espécie de fachada -, configurou uma descoberta efetuada pela primeira vez através da pesquisa psicanalítica, que, de resto, ainda deve ter muito mais a nos dizer sobre o relaciona-mento do ego com o id”.

(...)

Contudo, prossegue, ainda no mesmo parágrafo:

“(...) A patologia nos familiarizou com grande números de estados em que as linhas fronteiriças entre o ego e o mundo externo tornam-se incertas, ou nos quais elas se achavam, na realidade, elas se acham incorretamente traçadas. Há casos em que partes do próprio corpo de uma pessoa, inclusive partes de sua própria vida mental – suas percepções, pensamentos e sentimentos -, lhe parecem estranhas e como não pertencentes a seu ego; há outros casos em que a pessoa atribui ao mundo externo coisas que claramente se originam em seu próprio ego e que por este deveriam ser reconhecidas. Assim, até mesmo o sentimento de nosso próprio ego está sujeito à distúrbios, e as fronteiras do ego não são permanentes [estáticas]”.

E, dessa forma, através da análise histórica da formação do ego individual, desde suas primeiras experiências de diferenciação em relação à realidade, Freud procura averiguar de que modo os fatores culturais - especialmente os de cunho religioso – são capazes de causar os mais variados desvios do ego, ou seja, as principais causas que distorcem a maneira pela qual a realidade é vivenciada pelo ego - levando sempre em consideração as suas permanente e intensas interatividade com o id.

"Tudo é tão patentemente infantil, tão estranho à realidade, que, para qualquer pessoa que manifeste uma atitude amistosa em relação à humanidade, é penoso pensar que a grande maioria dos mortais nunca será capaz de superar essa visão da vida. Mais humilhante ainda é descobrir como é vasto o número de pessoas de hoje que não podem deixar de perceber que essa religião é insustentável e, não obstante isso, tentam defendê-la, item por item, numa série de lamentáveis atos retrógrados".
Sigmund Freud em “O Mal Estar na Civilização”.


A Essência do “Mal-Estar Civilizatório” na obra de Freud

"Não consigo pensar em nenhuma necessidade da infância tão intensa quanto a da proteção de um pai. Dessa maneira, o papel desempenhado pelo sentimento oceânico, que poderia buscar algo como a restauração do narcisismo ilimitado, é deslocado de um lugar em primeiro plano. A origem da atitude religiosa pode ser remontada, em linhas muito claras, até o sentimento de desamparo infantil."


Sigmund Freud em “O Mal Estar na Civilização”.

Uma das mais importantes obras de Sigmund Freud, “O mal-estar na civilização”, do ano de 1929, investiga as principais causas psicológicas que originam o sofrimento humano, analisando, ao mesmo tempo, algumas formas mais comuns de se lidar com ele. Em suma, Freud identifica com profundidade os fatores determinantes da insatisfação humana, colocando as complexas exigências da atual “cultura civilizatória” como o principal entrave às satisfações dos instintos naturais: “Nascemos com um programa inviável que é atender aos nossos instintos, mas o mundo não o permite”.

Dessa forma, somos obrigados, desde o início de nossas vidas, a conviver com a frustração, por sua vez representada pela exigência primordial de castração dos instintos básicos – pré-requisito fun-damental para a vida em sociedade. Num primeiro momento, na infância da humanidade, a natureza que nos cerca é incapaz de ceder aos nossos “apelos” espontâneos pela sobrevivência e preservação de nossa própria espécie; mais tarde, num segundo momento, quando o homem desenvolve tecnologia suficiente para subjugar a natureza, ou seja, quando a mesma parece se encontrar sobre nosso controle, a própria sociedade nos impõe novas restrições. E isto parece ser um ciclo-vicioso.

"A vida, tal como a encontramos, é árdua demais para nós; proporciona-nos muito sofrimento, decepções e tarefas impossíveis. A fim de suportá-las, não podemos dispensar as medidas paliativas. ‘Não podemos passar sem construções auxiliares’, diz Theodor Fontane. Existem talvez três medidas desse tipo: derivati-vos poderosos, que nos fazem extrair luz de nossa desgraça; satisfações substitutivas, que a diminuem; e substâncias tóxicas, que nos tornam insensíveis a ela". – O Mal Estar na Civilização, por S.Freud.
Freud, utilizando-se dos fundamentos de seu “princípio do prazer”, identifica a dor conforme suas diferentes fontes de origem: a originada do corpo, combatida pelos processos físico-químicos do organismo; a de origem psíquica: originada dos desejos insatisfeitos, da incompletude que, gerada pelos processos da castração dos instintos, parece ser inerente a todo ser humano; e, enfim, a dor oriunda das nossas relações com os demais de nossa espécie – que, de fato, é a que mais nos fere e incomoda: tanto no sentido político-cultural, como no ponto de vista sócio-econômico.

No entanto, parecem existir três possíveis soluções para uma adequada amenização do sofrimento humano gerado pela castração dos instintos. Segundo o próprio Freud, são elas:

1. Desistir completamente de investir a libido no objeto de desejo (há séculos religiões como o Budismo vem tentando práticas capazes de viabilizar essa solução);

2. Utilizar-se de prazeres substitutos, ou seja, sublimar o desejo; o que pode ser uma porta de entrada para o delírio e toda sorte de soluções narcísicas, isto é, o investimento da libido no próprio “self”;

3. Ou elaborar esquemas para fugir permanentemente das frustrações. Geralmente essas fugas se dão através de rituais orgíacos, da utilização indiscriminada de substâncias orgânicas entorpecentes (drogas que causam dependência química), etc., enfim, qualquer mecanismo capaz de anestesiar e alienar o indivíduo da realidade que, por algum motivo, o oprime.

Freud identifica padrões nas preferências intelectuais humanas, ou seja, abdicar às idéias do senso comum (“doxa”), bem como aos desejos mundanos é o objetivo da filosofia e de algumas religiões. Desta forma, podemos compreender certas construções psíquicas, culturalmente assimiláveis, como a do “sentimento oceânico” discutida no início do livro, representam uma espécie de defesa do ego em relação às exigências instintivas de nosso Id que, por sua vez, encontra-se em permanente atrito com as demandas da realidade objetiva vivida pelo indivíduo. O sentimento oceânico funcionaria, portanto, como um oásis, um amortecedor, enfim, um refúgio psíquico onde a mente como um todo é capaz de se reconstituir periodicamente do conflituoso “duelo” travado pelo Ego e pelo Id – duelo este que, por sua vez, está permanentemente ferindo o princípio do prazer, pois o Id procura a satisfação imediata de todas as necessidades do ser, enquanto o Ego procura estabilizar a personalidade, o self, evidentemente mascarando e controlando os impulsos instintivos provenientes do Id.

Portanto, este permanente desequilíbrio em nossos aparelhos psíquico - considerado, até certo pon-to, natural e saudável -, torna-se extremamente importante no sentido em gerar o equilíbrio necessário para a estruturação e reestruturação periódica das pulsões do indivíduo - o que, por sua vez, lhe permitirá minimizar intuitivamente a possibilidade de obter o desprazer e frustração que só tenderi-am a aumentar seu nível de incompletude e insatisfação com a realidade que o cerca. Portanto, é desta forma que o indivíduo psicologicamente saudável procura organizar sua estrutura psíquica de forma a minimizar a probabilidade de obter mais dissabores do que poderia suportar.

No início do último parágrafo do Capítulo I do livro “Mal Estar na Civilização”, Freud comenta: “Posso imaginar que o sentimento oceânico se tenha vinculado à religião posteriormente. A ‘Unidade do Universo’, que constitui o seu conteúdo ideacional, soa como uma primeira tentativa de consolação religiosa, como se configurasse uma outra maneira de rejeitar o perigo que o ego reconhece a ameaçá-lo a partir do mundo externo. Permitam-me admitir mais uma vez que para mim é muito difícil trabalhar com essas quantidades quase inatingíveis. Outro amigo meu (...) assegurou-me que, através das práticas de ioga, pelo afastamento do mundo [alienação], pela fixação da atenção nas funções corporais e por métodos peculiares de respiração, uma pessoa pode de fato evocar [e invocar!] novas sensações e cenestesias, con-sideradas estas como regressões a estados primordiais da mente que há muito tempo foram recobertos. (...) Não seria difícil descobrir aqui vinculações com certo número de obscuras modificações da vida mental, tais como os transes e os êxtases”. – [de qualquer forma, uma espécie de fuga da realidade objetiva através do domínio de técnicas místico- sensoriais].
Sigmund Freud em “O Mal Estar na Civilização”.

Por outro lado, outra estratégia muito comum de se sublimar os desejos provenientes dos instintos, ou seja, de se encontrar prazeres substitutos aos mesmos, pode ser feito através da ciência e das realizações artísticas: a abstinência e negação do prazer físico desloca o investimento libidinal, substituindo-o pela satisfação dos “prazeres do espírito”. E todo este processo passa a ser uma tarefa relativamente fácil e sistemática na medida em que desenvolvemos os mais variados e sofisticados conjunto de artificialismo culturais - que somos permanentemente obrigados a criar, a fim de conti-nuar preservando o legado civilizatório de geração em geração.

Finalmente, uma situação extrema: a fuga da realidade através da loucura, dos delírios e da perda da razão. O indivíduo cria um mundo interior onde sua comunicação passa a girar em torno de um sistema de simbólico que (...)

Link para acessar a segunda parte deste trabalho:
http://maxpages.com/elias/O_Mal_Estar_na_Civilizacao_II

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