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DROGADIÇÃO E ALCOOLISMO
Professor Elias Celso Galvêas


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PUC-RJ
Departamento de Educação

Drogadição e Alcoolismo - por Elias Celso Galvêas

Estados Orgíacos, Drogas, Drogadição, Compulsão e Fuga da Realidade

INTRODUÇÃO

Iniciamos o presente trabalho em ombros de gigantes, citando o psicólogo Eric Fromm em seu livro “A Arte de Amar”.

“ (...) a raça humana, em sua infância, sente-se ainda unida à natureza. O solo, os animais, as plantas ainda são o mundo do homem. Ele se identifica com os animais e isso se expressa pelo uso de máscaras de animais, pela adoração de um totem animal ou de deuses animais. Quanto mais, porém, a raça humana emerge desses laços primários, tanto mais se separa do mundo natural, e tanto mais intensa se torna a necessidade de encontrar meios novos de fugir à separação.

Um outro meio de alcançar esse objetivo está em todas as espécies de ‘estados orgíacos’. (...) Muitos mitos de tribos primitivas oferecem vivo quadro desse tipo de solução. Num estado transitório de exaltação, o mundo externo desaparece e, com ele, o sentimento de estar dele separado. E como estes ritos são praticados em comum, acrescenta-se uma experiência de fusão com o grupo que dá a tal solução o máximo de eficiência.

Estreitamente relacionada com essa solução orgíaca e muitas vezes mesclada a ela está a experiência sexual. O orgasmo sexual pode produzir um estado semelhante ao produzido por um transe, ou pelos efeitos de certas drogas. Ritos de orgias sexuais comunitárias faziam parte de muitos rituais primitivos. Parece que, depois da experiência orgíaca, o homem pode continuar por algum tempo sem sofrer demais com sua separação. Vagarosamente, a tensão da ansiedade sobe, e é de novo deduzida pela realização repetida do rito.
(...)
“ Enquanto esses estados orgíacos forem motivos de práticas comuns numa tribo, não produzem eles ansiedade ou culpa. Agir de tal modo é reto, virtuoso mesmo, pois é um modo de que todos compartilham, aprovado e requerido pelo pajé, ou pelos ‘sacerdotes’, daí não haver razão para que alguém se sinta culpado ou envergonhado. Bem diferente é o caso quando a mesma solução é escolhida por um indivíduo em uma cultura que deixou
para trás essas práticas comuns. O alcoolismo e o uso de drogas são as formas comuns que o indivíduo escolhe numa cultura não orgíaca. Em contraste com os que tomam parte na solução ‘socialmente modelada’, tais indivíduos sofrem sentimentos de culpa e remorso.

Ao tentarem fugir da separação pelo refúgio no álcool e nos entorpecentes, sentem-se ainda mais separados depois que termina a ‘experiência orgíaca’ e, assim, são levados a recorrer a ela com freqüência e intensidade [cada vez mais] aumentadas. Pouquíssimo diferente disso é o recurso a uma solução orgíaca sexual.”

(A Arte de Amar – Fromm, Eric – pág. 20,21 e 22)

Aliás, aproveitando os ombros de outro gigante:

“(...) os homens modernos não querem mais ouvir falar em culpa ou pecado. Cada um já tem muito o que fazer com a própria consciência já bastante carregada e o que todos desejam saber e aprender é como conseguir reconciliar-se com as próprias falhas, como amar o inimigo que se tem dentro do próprio coração e como chamar de ‘irmão’ ao lobo que nos quer devorar.”
(Carl G.Jung em: “Psicologia da Religião Ocidental e Oriental - pág.343).


Drogadição e Alcoolismo - Desenvolvimento

O objetivo do presente trabalho é estudar o alcoolismo como doença e o alcoólatra como o doente. Inicialmente definiremos o que é um alcoólico, diferenciando-o do bebedor compulsivo (ou bebedor pesado). Será analisado, com um nível bastante satisfatório de detalhes, como o álcool atua em nosso organismo, o que acarreta em contato com o organismo do alcoólico e no organismo dos indivíduos não alcoólicos. Avaliaremos de maneira geral, os efeitos do álcool no organismo, estudando, paralemanete, as motivações - físicas e psicológicas - que levam as pessoas a beber ao ponto de se
destruírem.


Definições e Terminologia Básicas – Considerações Iniciais

Como uma possível definição moderna, o termo drogadição pode ser entendido como uma “intensa obsessão mental aliada à predisposição física direcionadas à utilização de uma (ou mais) substância”. Em conseqüência, o termo drogadicto - relacionado à drogadição - refere-se ao usuário que já se encontra em algum estágio da dependência química em relação à determinada substância.

Ser alcoólico, portanto, é possuir uma predisposição inata que, devido ao contato com o álcool, irá se manifestar, provocando uma gradativa e progressiva dependência orgânica e psicológica, que acarreta uma intensa e profunda obsessão mental (psíquica) em relação à substância em questão - devido ao progressivo desenvolvimento da dependência química capaz de fundamentar esta obsessão psíquica.

Desta forma, as consequências são tanto mentais quanto fisiológicas, e, contrariando qualquer espécie de fundamentalismo extremista, o alcoolismo é uma doença que pode ter sua origem tanto devido ao comportamento individual, como quanto à uma pré-disposição fisiológica capaz de facilitar a instalação da doença. Entenderemos melhor este aspecto mais adiante.

Segundo a pesquisadora da Unifesp, Carolina Pereira da Silva Almada:

"O álcool após ser ingerido é metabolizado no fígado pela enzima desidrogenase alcoólica produzindo ácido acético e aldeído acético. Este tem papel nocivo sobre a célula hepática, podendo afetar membranas, alterar antígenos de superfície e despolimerizar proteínas. As hepatopatias e a desnutrição têm efeito potencializador das lesões pelo etanol.
Atualmente, considera-se que a dose de etanol necessária para causar lesão hepática depende da susceptibilidade do indivíduo. Assim, o consumo poderá variar de 20g/dia para mulheres e 40g/dia para homens até 160g/dia de etanol. Geralmente 80% dos pacientes com Hepatite Alcoólica ( HA ) têm história de consumo de álcool por mais de 5 anos. A possibilidade de desenvolver HA e cirrose é aumentada quanto maior a dose e o tempo de consumo de etanol. A coexistência de hepatites virais B ou C também aumentam a severidade da doença hepática de origem alcoólica.
As principais lesões hepáticas pelo etanol são esteatose, HA, cirrose e fibrose perivenular. A esteatose é causada pela deposição de gorduras dentro das células do fígado, os hepatócitos, sendo consideradas lesão predisponente para a HÁ e, esta é considerada lesão pré-cirrótica.
Além das lesões hepáticas diretas, o alcoolismo acaba por levar a deficiências nutricionais já que os alcoólatras freqüentemente obtém 50% de suas calorias do etanol, deixando de consumir alimentos que supram suas necessidades de proteína, tiamina, folato e piridoxina.
As manifestações clínicas da HA podem variar da forma assintomática até a formas graves. Os sinais e sintomas mais comuns são: aumento do fígado, icterícia, anorexia, perda do apetite, tumores, emagrecimento, febre e dor abdominal.
Além das lesões hepáticas, o álcool pode afetar outros órgãos como coração, pâncreas e sistema nervoso, podendo levar a arritmias cardíacas, pancreatite crônica e atrofia testicular.
A maioria dos alcoolistas não admite o vício de beber. É fundamental para o sucesso do tratamento a participação ativa da família e amigos e o ingresso em programas de apoio ao alcoolista.
Geralmente o problema vem à tona quando há um comportamento anti-social ou complicações médicas".

Dessa forma, verifica-se uma mistura entre fatores comportamentais e fisiológicos (pré-disposição genética) na composição de um prognóstico geral da doença.

Não obstante os fatores psicológicos permeadores do comportamental, ser alcoólico é, fundamentalmente, possuir uma falha genética que se manifesta na falha em se metabolizar o álcool que, por sua vez, ingerido nestas condições, acabará por se transformar em substâncias altamente tóxicas ao organismo: as quinolinas e carboxilas – substâncias estas que, além de toxicas, são diretamente responsáveis diretas pelo aumento progressivo do desejo de beber.

O alcoolismo, além de incurável, é considerada uma doença primária, ou seja: não deriva de outras moléstias. Contudo, o álcool é responsável por originar, no alcoólico, inúmeras doenças secundárias, assim como a cirrose hepática, o derrame e diverso outros danos vasculares. Essas doenças não aparecem da noite para o dia: elas levam anos para se manifestarem – o que contribui para o fortalecimento da crença na inofensibilidade da substância, bem como no aumento da pseudo-confiança de que: “tudo está sobre controle”.

A doença é extremamente democrática: não faz distinção de raça, sexo, cor, nacionalidade, status financeiro ou posição social, etc. Em média, 12% a 15% da população mundial - com pequenas variações percentuais entre povos - possui uma predisposição inata à drogadição e, portanto, ao alcoolismo. Depois das doenças cardíacas, o alcoolismo é a doença que mais mata pessoas no mundo. Portanto, pelo fato da doença ser hereditariamente transmitida, a probabilidade de se nascer com predisposição ao alcoolismo varia entre os doze e quinze por cento.

E os 85% restantes? Estão eles imunes às ameaças do álcool?

Na verdade, não. Mesmo quem não tem predisposição ao alcoolismo e insiste no permanente contato com a substância está, na verdade, brincando de “Roleta Russa”. Qual a probabilidade, portanto, que uma pessoa tem de morrer praticando uma "Roleta Russa", utilizando um revolver de oito agulhas no tambor? Com apenas uma bala em uma das oito
agulhas, o indivíduo gira o tambor, a bala fica alojada aleatóriamente em uma das oito agulhas do revólver. Portanto, ao mirar a arma para a cabeça e apertar o gatilho, ele possui 1 chance em 8 de ter seus miolos arrebentados. Todos nós sabemos que esta chance corresponde à probabilidade de 12,5% - que, como já foi comentado, coincide em ser a probabilidade média de uma pessoa tornar-se dependente química do álcool.

Em outras palavras, todas as pessoas não alcoólicas, ou seja, que não possuem a falha genética, se insistirem no contato permanente e prolongado com a substância, estão propensas, como o tempo, a desenvolver o alcoolismo em seus organismos. Portanto, ninguém está totalmente imune à doença. Desenvolver o alcoolismo no organismo implica diretamente no desencadeamanto de todo um processo orgânico que leva o indivíduo tornar-se dependente químico da substância.

Dessa forma, pessoa alguma pode ser considerada imune em relação aos efeitos prejudiciais do álcool no organismo humano. Alguns indivíduos são, naturalmente, mais propensos do que outros a desenvolverem a drogadição.

A bagagem genética que o indivíduo carrega, bem como a sua interação com o ambiente, estória de vida, experiências, etc., determinarão um maior ou menor grau de propensão à drogadição em geral. O que acontece é que aqueles que possuem predisposição ao alcoolismo manifestam, de imediato, o problema, ao terem os primeiros contatos com a substância.

Não obstante, os indivíduos que se encontram na faixa dos 85% e, portanto, não apresentam predisposição ao alcoolismo podem, por problemas emocionais como compulsões, ansiedade, insatisfação, inibição, etc., podem adquirir o (mal) hábito de beber e, desta, forma, correm o risco de desenvolver progressivamente a doença. È a partir daqui que fazemos a distinção entre o alcoólico e o bebedor pesado: o alcoólico é aquele que possui uma predisposição inata, mais provavelmente adquirida por herança genética; enquanto que o bebedor pesado é aquele que está envolvido de alguma forma com a substância, porém não possui - tal qual o alcoólico - a clara predisposição para o alcoolismo, ou seja, seu organismo, no momento, ainda é capaz de metabolizar adequadamente o álcool.

Dados alarmantes no Brasil:

A doença é a geradora de:
. 40% dos acidentes de trabalho.
. Por reduzir em 40% a produtividade laboriosa, em geral.
. É a causa mais comum da invalidez precoce.
. É responsável por 45% das internações clínicopsiquiátricas.

Além disto, cabe ressaltar que:
· O índice de suicídio entre os alcoólicos é, em média, 57% maior do que na população em geral.
· Dos acidentes de trânsitos, 75% deles estão relacionados à embriaguez do motorista.
· Déficit financeiro e moral: o alcoolismo desperdiça recursos equivalentes ao orçamento inteiro da Previdência social, sendo este desperdício é maior do que a soma total de nossas importações.
· Fato: a indústria do álcool é capaz de movimentar 2,5% do PIB, enquanto para se tratar os dependentes químicos seria necessário o investimento de 5,5% do nosso PIB.

Um Enfoque Psicológico no Tratamento do Alcoolismo

O senso comum, ou seja, as pessoas em geral vêem o alcoolismo por um prisma meramente moral. Desta forma, insiste-se em tratar o alcoolismo apenas como uma fraqueza de caráter por parte do alcoólatra. Não é bem assim: o alcoólico é tão culpado por ser alcoólico, quanto o diabético é, por ser diabético! Ou o daltônico, por ser daltônico.

O alcoolismo é uma doença como outra qualquer e, assim o sendo, deve ser tratada e estudada cientificamente como doença. O alcoólico, por sua vez, desprovido dos meios orgânicos tão necessário para a metabolização adequada do álcool em seu organismo, deve ser assistido e tratado com o respeito, a dignidade e a atenção que qualquer paciente merece ter.

Não se deve condenar moralmente o alcoólatra, mas sim tratá-lo como o doente que de fato é. Portanto, a relutância em aceitar o alcoolismo como doença, tanto por parte da família, quanto por parte do alcoólico, é o fator que mais impede as recuperações. O alcoólico, com medo da reprovação das pessoas que o cercam, custa a admitir que tem um problema – e um problema sério – e oferece, a princípio, uma forte resistência a qualquer amparo ou tratamento. Para o alcoólico, tudo está sobre o controle, até perceber que chegou ao fundo do poço: quando todas as ilusões tiverem sido afogadas no copo da cachaça é que acordará para sua miserável realidade. Mas este é um processo, infelizmente, bastante lento.

Por um prisma puramente psicológico, o carro chefe da drogadição e da compulsão relativa às drogas parece, em grande parte dos casos, derivar de uma combinação de baixa auto-estima que, por sua vez, gera sérios problemas no campo sexual. Não se pode negar que o álcool, além de um desinibidor bastante eficiente, é um dos tranqüilizantes mais eficaz
conhecidos. Ele é capaz de, em poucos minutos, eliminar dois sérios problemas: a inibição e a ansiedade. Portanto, o indivíduo procura no álcool uma válvula de escape e, a princípio, encontra. Toda droga, no início, é capaz de provocar êxtase e prazer. Mas, todo o processo representa uma verdadeira armadilha, posto que este prazer é ilusório e tem seus dias contados: é um pseudo-prazer que se converte, após algum tempo, em escravidão à dor e ao sofrimento.

Na verdade, muitos buscam na droga uma resposta para algum problema emocional, existencial, etc. Procuram na droga algo para preencher um imenso vazio, uma incompletude e insatisfação interiores – até certo ponto naturais à condição humana - que, talvez, o drogadicto, por falta de estruturação psíquica, não suporte entrar em contato.

O permanente compromisso com a autodestruição e com a desgraça que o drogadicto parece assumir com afinco, acabará por acarretar, mais cedo ou mais tarde, o inevitável fracasso nos principais setores da vida: o social, o econômico, o moral, etc.

Uma pergunta muito freqüente na tentativa de diagnosticar o alcoolismo é se o indivíduo já teve alguma história de parentes próximos com problemas de alcoolismo. Isto se deve ao fato de 65% a 70% dos alcoólicos apresentam antecedentes familiares de alcoolismo.


A utilização em médio prazo da substância pode gerar alterações comportamentais significativas que irão refletir diretamente nos relacionamentos dos alcoólicos. Como as principais e mais acentuadas características de desvio de personalidade encontradas com maior incidência nos alcoólicos, podemos enumerar:

· Baixa tolerância à frustração - depressão ou irritabilidade em resposta.
· Baixa resistência à tensão e/ou à ansiedade.
· Sensação permanente de isolamento.
· Sensibilidade acentuada.
· Tendências a atos impulsivos.
· Tendência à autopunição.
· Narcisismo e/ou exibicionismo.
· Mudanças constante e repentinas de humor.
· Rebeldia e hostilidade inconscientes.
· Necessidades bucais intensas.
· Imaturidade emocional.
· Conflitos sexuais incógnitos.

A vida do drogadicto, em seus mais variados aspectos, passa a girar em torno da substância da qual encontra-se dependente. O drogadicto é um dependente químico que necessita física e psicologicamente da substância que, a princípio só lhe dá prazer, mas posteriormente lhe trará sérias complicações de saúde, comprometimento de seu juízo moral e capacidade de julgamento que, por sua vez, com o passar do tempo, acabará por afetar negativamente sua convivência social, seu senso de responsabilidade em relação ao trabalho, bem como sua força de vontade perante os mais banais desafios da vida cotidiana.

Um enfoque psiquiátrico: como a substância age no organismo?

O álcool ataca diretamente o Sistema Nervoso Central (SNC), ou seja, o cérebro e os nervos periféricos. Após a ingestão de bebidas alcoólicas, a concentração de álcool no sangue pode, geralmente, ser detectada por volta de quatro a cinco minutos, devido ao alto poder de absorção do organismo em relação à esta substância. Tal como uma bomba de efeito retardado, a concentração de álcool, apesar de persistir mais tempo no tecido nervoso, aumenta mais lentamente neste do que no sangue.

No organismo, 10% do volume ingerido são eliminados diretamente pelos pulmões, rins e pele – causando a sobrecarga, principalmente, dos rins. Os outros 90% são convertidos em outras substâncias – como o aldeído acético – provocando a oxidação de elementos químicos. Nesta etapa, o fígado desempenha um papel de grande importância e, por este motivo, as disfunções hepáticas dificultam bastante o processo de digestão do
álcool. Grandes doses de álcool avariam, com o passar do tempo, os rins e o fígado, que são os principais órgãos de desintoxicação do organismo. A oxidação de substâncias químicas – que são capazes de provocar o envelhecimento - pode ser resumida em três etapas principais:

1. O álcool se transforma em aldeído acético
2. Em seguida, o aldeído acético se converte em ácido acético;
3. E, finalmente, o ácido acético é transformado em carbono e água.


Desta forma, causando a sobrecarga do organismo como um todo, a molécula do álcool (C2H5OH) é gradativamente transformada em substâncias inofensivas ao organismo e, tanto o Hidrogênio (H) quanto o Carbono (C) acabam se combinando com o Oxigênio (O), assumindo a fórmula do Gás Carbônico (CO2) e Água (H2O) – que não agridem o organismo, sendo facilmente descartado pelo mesmo [através da urina, da respiração e da transpiração].

Um organismo sadio trabalha desta forma, o que não é o caso do alcoólatra. No alcoólatra, observa-se uma falha na segunda etapa da oxidação, ou seja, na transformação do Aldeído Acético em Ácido Acético – tal transformação só é possível na presença de uma enzima produzida pelo fígado denominada “desidrogenase alcoólica”. Como o organismo do alcoólatra produz uma baixa taxa desta substância, o Aldeído Acético, que deveria se converter em Ácido Acético na segunda etapa do processo, acaba se transformando em substâncias bastante nocivas ao organismo: as carbolinas e as isoquinolinas – que,
não só causam a dependência química, como também intoxicam e, com o passar do tempo, desregulam as funções homeostáticas que regulam a maioria dos processos orgânicos, principalmente as funções do Sistema Nervoso Central.

BIBLIOGRAFIA

REVOLVER QUE SEMPRE DISPARA, O
ISBN: 8586821039
Autor/Fabricante: VESPUCCI, EMANUEL FERRAZ
Editora: EDITORA CASA AMARELA LTDA


Por Elias Celso Galvêas



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