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MATERIAL PARA ANÁLISE CRÍTICA DO ENSINO TRADICIONAL
Música: "Little Boxes" e Artigo: "1001 usos para um Barômetro", de Carlos Alberto Teixeira - O Globo, Janeiro de 2002.


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A música que você irá ouvir chama-se "Little Boxes". A letra dela está logo abaixo - na sua versão original em Inglês, e versado para o português. Escute a música, analise seu conteúdo e leia o texto abaixo, entitulado "MIL E UM USOS PARA UM BARÔMETRO".

Envie para o email aulas_partic@hotmail.com a sua apreciação crítica sobre a música e o texto lido.

Os trabalhos serão devidademente lidos e considerados. O melhor trabalho será divulgado neste site, como continuação desta sessão.

Boa sorte e envie-nos sua contribuição!

Vamos à música:

LITTLE BOXES

One, two, three... LET´S ALL SING!

(1) Little boxes on the hill side, little boxes made of "Ticky-Tacky"...
(2) Little boxes on the hill side, little boxes all the same.

(3) There is a green one, and a pink one, and the blue one, and the yellow one!
(4) And they all made out of "Ticky-Tacky" and they all look just the same.

(5) And the people in the houses all went to the University:
(6) where they were put in boxes and they came out all the same!

(7) And this doctors, and this lawyers, and business executives
(8) And they all are made out of "Ticky-Tacky" and they all look just the same.

(9) And they all play on the golf course, and drink their Martinnis Dry.
(10) And they all have pretty children and the children go to school!

(11) And the children go to summer camp and then to the University:
(12) where they all are put in boxes and they all look just the same.

(13) And the boys go into business, and marry and raise a family!
(14) In Boxes made of "Ticky-Tacky" and they all look just the same.


Versão para a Língua Portuguesa:

(1) Caixinhas nas encostas dos morros, caixinhas feitas de Ticky-Tacky...
(2) Caixinhas nas encostas dos morros, caixinhas todas iguais.

(3) Tem as verdes, as côr-de-rosas, as azúis e as amarelas!
(4) Todas elas feitas de "Ticky-Tacky, todas elas tão parecidas!

(5) E as pessoas nas casinhas, todas elas foram à Universidade:
(6) Onde foram empacotados em caixinhas, e saíram todas iguais.

(7) E estes médicos, estes advogados, administradores de empresas...
(8) Todos eles feitos de "Ticky-Tacky, todos eles tão parecidos.

(9) E todos eles jogam golf, e tomam seus martines secos.
(10) E todos eles têm lindos filhos, e seus filhos vão à escola.

(11) E seus filhos vão à colônia de férias, e depois para a universidade:
(12) Onde são empacotados em caixinhas, e saem todos iguais.

(13) E os meninos iniciam negócios, e se casam e cuidam de suas famílias,
(14) Em caixinhas feitas de "Ticky-Tacky", e todos eles tão parecidos...




ARTIGO:

MIL E UM USOS PARA UM BARÔMETRO

Engenhosidade de um aluno supera expectativa do mestre

Quem lida com sistemas corre o risco de ficar repetindo soluções pré-moldadas, abafando a criatividade . Não permita que isso aconteça, leitora. O texto que lhe apresento em tradução livre foi escrito em 1964 pelo Dr. Alexander Calandra, professor de Física na Washington University em St. Louis, nos Estados Unidos:

“Algum tempo atrás, recebi um chamado de um colega que me pediu para arbitrar uma questão referente à avaliação de uma pergunta de prova. Ao que parecia, ele estava a ponto de dar zero a um aluno numa questão de Física, mas o estudante alegava que merecia nota máxima e que queria ganhar um dez mesmo, mas que não ganharia porque o sistema de ensino era uma armação contra os alunos.

“Dirigi-me ao escritório desse meu colega e li a questão, que dizia simplesmente: ’Mostre como é possível determinar a altura de um arranha-céu com ajuda de um barômetro.’[que, como se sabe, é um instrumento que mede a pressão atmosfera.]

“A resposta do aluno: ‘Leve o barômetro até o topo do prédio, amarre nele uma longa corda e vá baixando-o até a rua. Depois puxe-o de volta e meça o comprimento da corda, que será igual à altura do edifício.’

“Bem, é uma resposta interessante, mas será que o rapaz deveria receber pontos por ela? Argumentei que ele até merecia, já que respondeu à questão completa e corretamente. Por outro lado, se recebesse a nota máxima, isso contribuiria para aumentar seus pontos gerais no curso de Física. Um alto número de pontos certifica que o estudante é bom em Física, mas a resposta dada pelo aluno não confirma isto. Com estas considerações em mente, sugeri que se desse a ele uma outra chance. Achei natural que meu colega concordasse — mas me surpreendi quando o aluno topou a parada.

“Agindo nos termos do acordo, dei ao estudante seis minutos para responder à questão, com a advertência de que a resposta deveria comprovar algum conhecimento de Física. Ao final de cinco minutos, o sujeito ainda não tinha escrito nada. Perguntei-lhe então se queria desistir, já que eu tinha aula para dar em seguida, mas ele disse que não desistiria. Contou-me que tinha tantas respostas pata o problema que estava apenas pensando em qual seria a melhor.

Desculpei-me por tê-lo interrompido e pedi que prosseguisse. No minuto seguinte, ele rapidamente escreveu sua resposta: ‘Leve o barômetro até o topo do edifício e incline-se no telhado, deixando cair o aparelho até o chão, e meça o tempo de queda com um cronômetro. Então, calcule a altura do prédio usando a fórmula S= metade de ‘g’ [aceleração da gravidade] vezes o tempo ao quadrado.’

“Diante disso, perguntei ao meu colega professor se ele se dava por satisfeito. Ele cedeu e dei ao rapaz quase a nota máxima. No entanto, ao deixar o escritório, lembrei-me de que o estudante havia mencionado Ter outras respostas para o problema e fui lhe perguntar quais eram. Ele respondeu que existem muitas maneiras de determinar a altura dum prédio usando um barômetro. Num dia ensolarado, por exemplo, pode-se-ia medir a altura do barômetro, o comprimento de sua sombra, o comprimento da sombra do prédio e
- valendo-se de uma simples regra de três – calcular a altura da construção.

“Pedi mais outra solução e ele veio com um método extremamente básico, mas funcional. Pegaria o barômetro e subiria as escadas do prédio, marcando verticalmente na parede a altura do instrumento, subindo a cada marca. Quando chegasse ao telhado do edifício, bastaria contar as marcas e multiplicar pela altura do barômetro. Um método bem direto.

“Depois disso, ele apresentou uma solução mais sofisticada, em que penduraria o barômetro num fio e o faria oscilar como um pêndulo. Com isso, determinaria o valor de ‘g’ no térreo e depois em cima do prédio. Pela diferença entre os dois valores de ‘g’, a altura do arranha-céu poderia, a princípio, ser calculada. O estudante concluiu, sempre brilhante, que se não estivesse limitado a soluções para o problema que usassem conhecimentos de Física, poderia levar o barômetro até o escritório do zelador do prédio e dizer para ele: ‘Sr. Zelador, tenho aqui um lindo barômetro de alta qualidade. Se o senhor ,e disser a altura deste edifício, eu lhe darei o barômetro de presente.’

“Neste ponto não agüentei e perguntei ao estudante se ele realmente não sabia a resposta correta do problema. Ele admitiu que sim, mas que já estava de saco cheio com os professores tentando ensiná-lo como deveria raciocinar e usar seu pensamento crítico, em vez de lhe mostrarem a estrutura fundamental do tema e deixá-lo livre para encontrar soluções originais e criativas. Assim, ele dar esta sacaneada no mestre.”

COLUNA DO CARLOS/ALBERTO/TEIXEIRA, O GLOBO, JANEIRO DE 2002.



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Page Updated Sun May 3, 2009 10:29pm EDT