PRIMÓRDIOS DO BUDISMO NO ORIENTE - professor Elias Celso Galvêas
Numa terra em que prevalece o verdadeiro ensinamento, todo habitante tem a mente pura e tranqüila. Realmente, a compaixão de Buda beneficia incansavelmente todos os homens. Sua mente resplandecente expulsa todas as impurezas da alma. Uma mente pura torna-se profunda e comparável ao Nobre Caminho, torna-se uma mente que gosta de dar, de conservar os preceitos. Torna-se uma mente perdurável, zelosa, calma, sábia, compassiva, que leva os homens à Iluminação, por meios hábeis. Assim se construirá a Terra de Buda.
A Doutrina de Buda Bukkio Dendo Kiokai
Por séculos a fio, o Budismo tem sido a base da tradição espiritual na maior parte da Ásia, incluindo: Japão, Coréia, China, Indochina, Sri-Lanka, Nepal e Tibete. A influência do Budismo em tais países é análoga à influência do Hinduísmo na Índia, tendo funcionado como o principal veículo cultural, intelectual e artístico na vida dos povos que lá habitam. No oriente, a imagem do Buda meditando é, espiritualmente, tão significativa quanto a imagem do Cristo na cruz, para o Ocidente.
Diferentemente do Hinduísmo que possui origens diversas -, o Budismo tem como único fundador Sidarta Gautama, considerado pelos hindus o Buda histórico. Buda nasceu na metade do século VI a C, na Índia, tendo sido contemporâneo de inúmeros gênios espirituais e filosóficos, tais como: Confúcio e Lao Tsé (na China), Zaratrusta (na Pérsia), Pitágoras e Heráclito (na Grécia).
Após a morte de Buda, surgiram duas vertentes principais, representadas principalmente pelas escolas Theravada erroneamente chamada de Hinayana (Pequeno Veículo) - e Mahayana ( Grande Veículo). A primeira tendência, Theravada, disseminou-se no Sri-Lanka (antigo Ceilão), em Burma, e na Tailândia. Esta vertente é considerada a mais ortodoxa e procura reproduzir fielmente (na íntegra) os ensinamentos de Buda; já a segunda tendência representa uma interpretação mais flexível, pois pensavam ser a essência (ou conteúdo) dos ensinamentos mais importantes do que a reprodução radical de sua formulação original. Tal vertente estabeleceu-se na China, no Tibete, e no Nepal, difundindo-se até o Japão por isto, Mahayana pode ser considerada a principal vertente entre as duas, abrindo caminho para a posterior formulação do Zen Budismo (principalmente na China).
Através dos séculos, a Doutrina Budista entrou em contato com as mais variadas culturas, na medida em que Mahayana (Grande Veículo) adentrava o território asiático. Os povos asiáticos de cultura e mentalidade bastante diferentes das dos Hindus -, ao entrarem em contato com a Doutrina Budista, não descartaram por completo suas próprias crenças e concepções fato que gerou uma maior variedade de interpretações baseadas na doutrina original.
No entanto, o resultado desta fusão foi uma espécie de sincretismo religioso e doutrinário que, apesar das divergências, acabou acarretando, no final das contas, um enriquecimento das idéias da doutrina original, onde é possível a constatação de outras novas concepções que emergiram, além dos profundos insights psicológicos surgidos devido a tais fusões.
No decorrer de 2500 anos de existência, a Doutrina Budista adotou, gradativamente, inúmeros e diferentes cultos, rituais e superstições estéreis, que nada possuem em comum com os ensinamentos originais de Gautama Buda. Pelo que se tem notícia, o Budismo acabou sendo reabsorvido, após alguns séculos, pelo Hinduísmo cujo conjunto de crenças apresenta, em geral, um caráter mais flexível -, e Buda foi, assim, considerado uma das reencarnações do deus (de muitas faces) Vishnu. Na China (e em grande parte da Ásia) a Doutrina entrou em contato com o Confucionismo, abridno caminho para o futuro desenvolvimento das idéias Zen Budista.
A principal preocupação de Buda não era, como no Hinduísmo, o questionamento (ou a categorização) da natureza da divindade, tampouco a especulações cosmogênicas, ou seja, sobre a origem do homem e do universo. O Budismo não se prendia a ritualismos, nem se preocupava muito em tecer figuras mitológicas complexas, apesar de muitas parábolas e alegorias serem usadas para facilitar a transmissão dos ensinamentos de Buda.
Ó mente minha ! Por que pairas incansavelmente assim sobre as cambiantes circunstâncias da vida ? Por que me deixas tão confuso e inquieto? Por que me incitas a coligir tantas coisas ? És como o arado que se quebra em pedaços antes de começar a arar; és como o leme que se desmantela no momento em que te aventuravas neste mar da vida e da morte. Para que servem os muitos renascimentos, se não fizermos bom uso desta vida ?
A Doutrina de Buda Bukkyo Dendo Kyokai
Na verdade, originalmente, o Budismo estava preocupado com a condição existencial humana, e, mais especificamente, com o sofrimento e com as frustrações dos seres humanos. Portanto, a Doutrina de Buda pode ser considerada mais uma psicoterapia (de bases mentais) do que uma religião fundamentada em dogmas metafísicos, assim como o Hinduísmo (ou mesmo do Cristianismo Católico). O Budismo procura basear-se nas leis concretas de causa e efeito, tanto no sentido físico quanto espiritual: cada ação (causa) corresponde a uma determinada reação (efeito), no plano físico ou espiritual ou em ambos.
Todavia, podemos observar que: Estritamente falando, o Budismo não é uma religião, nem um sistema de fé e culto, não possuindo qualquer vinculação com um Ser Supremo. É um caminho que guia o discípulo, mediante uma vida pura e pensamentos puros, à Suprema Sabedoria e Libertação.
Budismo A Psicologia do Autoconhecimento, George da Silva e Rita Homenko.
Desta forma, o Budismo é predominantemente formulado segundo a própria realidade existencial humana, pois considera como elementos para sua fundamentação os fatos mais corriqueiros da vida, assim como: o nascimento, a velhice, a doença e a morte, etc. que podem ser considerados as bases materiais (ou físicas) de nosso sofrer, nossas principais preocupações durante nossas vidas mundanas.
Igualmente, não ignora o aspecto psicológico da questão, ou seja: o fato de se odiar uma situação ou alguma pessoa, estar separado de um ente querido, bem como a inútil e permanente tentativa de se abastecer o ego com desejos mundanos, criando paixões desnecessárias - tudo isto também é considerado. Com isto, temos as Quatro Nobres Verdades formuladas, por Buda, de maneira concisamente racional. São elas:
I A VERDADE DA EXISTÊNCIA DO SOFRIMENTO
II A VERDADE DA CAUSA (OU ORIGEM) DO SOFRIMENTO
III A VERDADE DA CESSAÇÃO DO SOFRIMENTO
IV - O CAMINHO QUE CONDUZ À EXTINÇÃO DO SOFRIMENTO
Todos estes aspectos combinados, os físicos e os psicológicos, representam as raízes originais do sofrimento humano, pois a nossa vida está sempre repleta de desejos e paixões que, não satisfeitos, irão provocar a angústia e a frustração do ser. Temos, então, respectivamente, as duas primeiras Nobres Verdades: (I) A VERDADE DA EXISTÊNCIA DO SOFRIMENTO onde simplesmente são enumerados os nossos pesares na existência terrena -; e:
(II) A VERDADE SOBRE A CAUSA (OU ORIGEM) DO NOSSO SOFRIMENTO - onde é formulada a hipótese do porquê sofremos.
Sobre as Quatro Nobres Verdades, Buda tentou detectar objetivamente a origem do sofrimento humano (Segunda Grande Verdade), tentando determinar, física e psicologicamente, uma forma prática e sistemática de superar tal sofrimento: Assim como há causas para todo o sofrimento humano, existe, também, um meio pelo qual ele pode findar, porque tudo no mundo é resultado de uma grande confluência de causas e condições; e todo sofrimento pode ser dissipado quando suas respectivas causas e condições mudam ou deixam de existir. Bukkyo D. Kyokai.
Temos, então, formulada a Terceira Nobre Verdade, que consiste em extinguir todo desejo, toda a ambição, todo o anseio, portanto toda a angústia e ansiedade que as paixões mundanas são capazes de acarretar à alma. Esta é
(III) VERDADE SOBRE A CESSAÇÃO DO SOFRIMENTO.
A causa do sofrimento humano encontra-se, sem dúvida, nos desejos do corpo físico e nas ilusões das paixões mundanas. Se estes desejos e ilusões forem investigados em sua fonte, poder-se-á verificar que os mesmos se acham profundamente arraigados nos instintos físicos. - A Doutrina de Buda, Bukkyo D. Kyokai.
Desta forma, como o ser humano é tanto físico como espiritual, existe uma interação direta entre o pensamento e a matéria, o que leva a crer que: o espírito, através do pensamento - que é imaterial (e, portanto, espiritual) - influi constantemente na matéria, causando alterações, geralmente em longo prazo, em nossos corpos físicos.
O principal objetivo da prática budista é, portanto, atingir um estado de perfeita consciência espiritual denominado NIRVANA que é o estado dos seres que, através da evolução espiritual, conseguiram o Despertar, ou a Iluminação. Este é o estado de consciência da alma onde o ser alcança a completude, onde todos os questionamentos cessam e os desejos mundanos se extinguem. A consequência é a total e irreversível paz do ser, em todos os sentidos.
Assim como no Hinduísmo, a necessidade biológica que é característica dos seres ainda dependentes da matéria bruta, ainda dependentes da infindável senda do nascer e do renascer, pode, agora, encontrar uma solução existencial satisfatória: o homem, conhecendo-se a si mesmo através das suas diversas encarnações, através da maturação gradual de sua parte espiritual, vai adquirindo a consciência de que é um espírito eterno, acabando por vencer, definitivamente, a morte física, e todos os outros estágios físicos e ilusórios da matéria. O homem só pode trilhar o caminho do autoconhecimento de seu verdadeiro eu com auxílio de sua parte imaterial, ou espiritual que representa a parte que o faz a imagem e semelhança de Buda, Cristo, ou do Criador: o nome já não importa.
Assim, a aparentemente infindável senda kármica de encarnações e reencarnações cessa de maneira total e irreversível. É o fim definitivo de todas as espécies de FORMÇÕES KÁRMICAS do ser humano. Isto tudo só é possível através do esforço espiritual que o homem constantemente realiza, através de suas obras em diversas encarnações, que proporciona, cada vez mais, o desprendimento e desapego de seu lado material, através do gradual abandono à Providência Divina fato que seria igualmente impossível sem uma rígida disciplina mental que, geradora da maturidade do espírito, provoca o seu reavimento (e religamento) do ser ao estado primordial divino.
Utilizando-se de uma terminologia mais budista, podemos dizer que o ser humano, através da rígida disciplina mental, é levado ao Estado de Buda, ou atinge o Nirvana que representa o expoente máximo da completude espiritual ontológica.
Ainda aproveitando que estamos a falar da Terceira Nobre Verdade que consiste na cessação do sofrimento apresentaremos o seguinte quadro que, de maneira geral e resumida, nos mostrará os efeitos do processo da constante prática budista no ser humano:
A GÊNESE BUDISTA DA CESSAÇÃO DO PROCESSO DE SOFRIMENTO
1. A EXTINÇÃO DA IGNORÂNCIA FAZ CESSAR A INDIVIDUALIDADE (individualidade entendida como a ilusão do ego)
2. A CESSAÇÃO DA INDIVIDUALIDADE - MÃE DE TODOS OS PRECONCEITOS QUE TENDEM A FRAGMENTAR A HUMANIDADE - FARÁ CESSAR, COM O TEMPO, TODA ESPEÉCIE DE FORMAÇÕES KÁRMICAS.
3. COM O CESSAR DAS FORMAÇÕES KÁRMICAS, CESSA A CONSCIÊNCIA MUNDANA (vista como conhecimento do intelecto, mãe de todas as categorizações.).
4. COM A EXTINÇÃO DA CONSCIÊNCIA MUNDANA, CESSAM A MENTE E A FORMA CORPÓREA.
5. COM O CESSAR DA MENTE E DA FORMA CORPÓREA, CESSAM OS SEIS SENTIDOS.
6. COM O CESSAR DOS SEIS SENTIDOS, CESSAM O CONTATO COM AS SENSAÇÕES TERRENAS E PAIXÕES MUNDANAS.
7. COM O CESSAR DAS SENSAÇÕES TERRENAS, CESSAM OS DESEJOS MUNDANOS.
8. COM O CESSAR DOS DESEJOS MUNDANOS, TODO O APEGO MATERIAL DESAPARECE.
9. COM A EXTINÇÃO DO APEGO MATERIAL, CESSA TODA CONSCIÊNCIA INDIVIDUAL TERRENA (EGO).
10. QUE, POR SUA VEZ, FAZ CESSAR OS PROCESSOS KÁRMICOS DO VIR-A-SER (TERMINA O RENASCER)
DAÍ ENTÃO, O SER FICA LIVRE DA SENDA REENCARNATÓRIA EM NÍVEL KÁRMICO. E ATRAVÉS DE TODO ESTE PROCESSO DE CONDICIONAMENTO ESPIRITUAL, TODA SORTE DE SOFRIMENTO MATERIAL DESAPARECE. O HOMEM ILUMINADO VENCE: AS FRUSTAÇÕES, AS LAMENTAÇÕES, A TRISTEZA, O DESESPERO, ETC. QUE SÃO FILHAS DA DELICADA E FRÁGIL CONDIÇÃO EXISTENCIAL QUE, OBRIGATORIAMENTE, O HOMEM MATERIAL ENFRENTA NO DECORRER DA SUA PERMANÊNCIA COMO ENTE ENCARNADO: A DECADÊNCIA, AS DOENÇAS, A VELHICE E A MORTE SUA PRÓPRIA E DE SEUS ENTES QUERIDOS. TUDO ISTO, UM DIA SERÁ VENCIDO, POIS O QUE É ILUSÓRIO NÃO PODE JAMAIS PREDOMINAR SOBRE O QUE É OCULTO, PORÉM ESSENCIALMENTE VERDADEIRO E CONCRETO.
O papel das emoções na prática budista Trabalhando com as emoções
Algumas emoções soa realísticas e construtivas, outras não. Portanto, algumas devem ser cultivadas no caminho e outras, abandonadas. O Buda ensinou vários antídotos para emoções negativas como raiva, apego, inveja e orgulho. Também ensinou técnicas para cultivar emoções positivas como o amor e compaixão. Segundo o Budismo, o amor é o desejo de que todos tenham a felicidade e suas causas, e a compaixão é o desejo de que se livrem de todas as condições insatisfatórias e suas causas. O amor e a compaixão são dirigidos igualmente a todos os seres, e o Buda ensinou um método passo a passo para desenvolvê-los.
O que é Budismo, por Thubten Chodron.
Dessa forma, utilizando-se de termos modernos, podemos considerar o Budismo como uma psicoterapia analítica com bases na existência, ao passo que se preocupa fundamentalmente em compreender através de uma análise racional - os que fazem o ser humano sofrer, ao mesmo tempo em que busca elaborar técnicas objetivas e igualmente racionais para a gradual erradicação deste mesmo sofrimento.
Dentro de um enfoque psicológico, a funcionalidade prática da lei da causa e efeito pode ser resumida segundo a velha sabedoria popular, que nos diz: mudando-se a maneira de pensar, muda-se também a maneira de sentir. E o anímico substrato do qual nossos pensamentos são formados constitui-se algo tão imaterial e, por que não arriscar em dizer: do mesmo material que compõem nossos sonhos, tão eterno quanto nossos espíritos? O imaterial é, portanto, capaz de influenciar diretamente o material, e vice-versa.
A evolução espiritual do ser se dará justamente através da constante prática da árdua disciplina de concentração mental, unida a um formulário prescrito de atitudes moralmente corretas - que devem sempre ser vivenciadas por aqueles que percorrem o caminho da BUDISTA Iluminação Espiritual.
Estes preceitos fazem parte do CAMINHO ÓCTUPLO, OU CAMINHO DO MEIO, conforme veremos adiante.
Prosseguindo o encadeamento de idéias, a pergunta chave que nos levaria à conclusão final, ou à Quarta Nobre Verdade, é: Através do ponto de vista do budismo, qual seria, resumidamente, a receita para a extinção definitiva do sofrimento humano ?
Ó mente minha ! Se pudesses aprender que tudo é inconsistente e transitório; se pudesses aprender a não te apegares às coisas, por elas não ansiares, a não dares vazão à cobiça, ira e tolice, então, poderíamos caminhar, lado a lado, em paz. Se rompêssemos os grilhões dos desejos mundanos com a espada da sabedoria, se não nos abalássemos com as mutáveis circunstâncias da vida, com a vantagem ou desvantagem, com o bem ou mal, com a perda ou lucro, com o louvor ou o abuso, então poderíamos alcançar o NIRVANA e viver eternamente em paz.
Ó minha tola, tola mente !! Assim me conduziste por longos e diversos caminhos e sempre te fui obedientemente dócil. Mas agora que ouvi os ensinamentos de Buda, não mais me perturbarás ou me causarás sofrimentos. Busquemos juntos a ILUMINAÇÃO humilde e pacientemente.
A Doutrina de Buda, de Bukkyo Dendo Kyokai
Se a remoção gradativa dos desejos mundanos que geram as paixões é, de fato, possível, tais paixões tenderão a desaparecer, e, por conseguinte, todo o sofrimento humano poderá ser extinto. Esta é a Quarta Nobre Verdade, ou simplesmente: o (IV) CAMINHO QUE CONDUZ À EXTINÇÃO DO SOFRIMENTO - através da aplicação permanente do caminho óctuplo como um modus vivendis.
A partir da formulação da Quarta Nobre Verdade, Buda completa sua prescrição para a assepsia integral da alma humana, enumerando os oito elementos que compõem o A NOBRE SENDA ÓCTUPLA, ou O CAMINHO DO MEIO da temperança, do bom senso e da moderação. Assim, temos as oito prescrições para a extinção integral do sofrimento humano.
Para que um estado de permanente tranqüilidade e completude possa ser alcançado, estado denominado NIRVANA - em que não há desejo, tampouco sofrimento -, deve-se percorrer o NOBRE CAMINHO (DA SENDA ÓCTUPLA), procurando respeitar todas suas oito etapas prescritivas, que são:
1. PALAVRA (OU COMUNICAÇÃO) CORRETA CONDUTA
2. AÇÃO CORRETA (Ética) ÉTICA
3. MEIO DE VIDA CORRETO (MORALIDADE)
4. ESFORÇO CORRETO
5. PLENA ATENÇÃO CORRETA DISCIPLINA MENTAL
6. CONCENTRAÇÃO CORRETA (MEDITAÇÃO)
7. PENSAMENTO CORRETO INTROSPECÇÃO
8. CORRETA COMPREENSÃO (SABEDORIA)
Deve-se ter sempre em mente estas Verdades, pois, estando o mundo cheio de sofrimentos, deles se pode escapar, apenas como o romper dos vínculos das paixões mundanas, que são a causa única das agonias. O meio de vida, isento de toda paixão mundana e do sofrimento, somente é conhecido através da ILUMINAÇÃO, e esta só pode ser alcançada através da disciplina do NOBRE CAMINHO
Doutrina de Buda, de Bukkyo D. Kyokai.
Por sua vez, as QUATRO NOBRES VERDADES conduzem o discípulo ao NOBRE CAMINHO (da Senda óctupla), ou CAMINHO DO MEIO.
Portanto, não desconsiderando o seu (não predominante) caráter metafísico, pode-se observar, na composição da Doutrina Budista, elementos bastante concretos, que se baseiam em nossos processos físicos (sensoriais) e mentais (psicológicos). Isto confere, de certa forma, um caráter prático e objetivo aos ensinamentos de Buda - que estão clara e intimamente relacionados à realidade concreta direta do homem, num primeiro momento, focando o aqui e o agora.
Dessa forma, contrariando a tendência geral da mística oriental, o Budismo nunca se perdeu pelas veredas das excessivas e abstratas especulações metafísicas, pois soube, de maneira sábia, reunir elementos reais e concretos que predominam sobre os aspectos metafísicos propriamente ditos. A Lei da Causa e Efeito, resumida na lei do retorno, é um exemplo claro e conciso da concretude e objetividade da Doutrina de Buda, que também se caracteriza por ser uma doutrina sensorial, ou seja, é baseada na sensorialidade.
Aquele que é incapaz de vigiar seus cinco sentidos olhos, ouvidos, nariz, língua e corpo e fica tentado por seu ambiente, não é aquele que se prepara para a Iluminação. Aqueles que vigiam firmemente as portas de seus cinco sentidos e conserva a mente sob controle, este sim, é aquele que pode alcançar êxito na busca da Iluminação.
Aquele que se influencia pelo gostar e desgostar não pode compreender corretamente o seu ambiente e tende a ser vencido por ele. Aquele que está livre de todo o apego compreende corretamente o seu ambiente e, para ele, tudo se torna novidade significativa.
A Doutrina de Buda, de Bukkyo Dendo Kyokai.
Um certo desprezo pelas atividades racionais - que geram desnecessárias categorizações - também pode ser observado na prática do pensamento budista. O intelecto bem como o corpo físico - é considerado apenas como um instrumento que, à disposição do homem, possui a função de facilitar o caminho para a verdadeira e direta experiência mística, ou seja, o completo, insuperável e irreversível despertar espiritual. Este "despertar foi experimentado por Buda, após sete anos de árdua meditação, tendo ele, no final, atingido o estado de acinthya (o impensável), onde toda a realidade é percebida de maneira indivisível e indiferenciada o ponto onde o questionamento cessa. |
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