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Neste artigo:
"A palavra ferormônio deriva do grego e significa "que
transmite excitação". São substâncias que funcionam como
mensageiros entre seres da mesma espécie, desencadeando respostas fisiológicas
e comportamentais previsíveis. Eles foram originariamente descritos em
insetos, nos quais apresentam importância fundamental para a preservação
da espécie. Podem agir, por exemplo, atraindo o macho até a fêmea, ou
retardando a maturação sexual em abelhas fêmeas, que então se
tornariam operárias."
Introdução
A importância dos ferormônios, nos mamíferos, é menor, em parte
devido ao desenvolvimento de outras formas de comunicação, como expressões
faciais, gestos e linguagens. Os mamíferos, exceto o homem, possuem glândulas
especiais que produzem ferormônios, e como não possuem antenas, eles
desenvolveram um órgão chamado "Órgão Vomeronasal" (OVN),
que funciona como um receptor de ferormônios. Esse órgão é mais sensível
que o olfato, já que consegue detectar quantidades mínimas de moléculas.
O "ponto V"
O papel do olfato, em seres humanos, é inegável. Basta olharmos a
milionária indústria dos perfumes. Entretanto, parece claro que as relações
humanas são governadas por muito mais do que sinais químicos. Assim, o
papel dos ferormônios nas relações entre homens e mulheres tem sido
alvo de grande controvérsia entre os pesquisadores.
A existência do OVN em fetos humanos é bastante conhecida, mas em
adultos a questão é complexa. Alguns pesquisadores conseguiram
demonstrar, através de estudos anatômicos e de imagem, a existência
desse órgão no teto da cavidade nasal de alguns indivíduos estudados,
mas não em todos. Outros estudiosos avaliaram se as células desse órgão,
em humanos, respondiam a estímulos, mas os resultados encontrados foram
conflitantes. Entretanto, como afirma o pesquisador Michael Meredith:
"A presença ou a ausência de ferormônios e de seu papel na
comunicação entre seres humanos independe da existência e/ou da
funcionalidade do OVN humano".
Ferormônios Humanos
o sexto sentido?
O pesquisador McClintock estudou garotas que utilizavam o mesmo dormitório
em um colégio, e foi um dos primeiros a relatar o sincronismo do ciclo
menstrual entre essas garotas. Para Terence Monmaney, essa seria a evidência
mais forte da existência de ferormônios na espécie humana. Entretanto,
ele mesmo afirma que esse sincronismo teria sido alcançado porque as
garotas comiam, estudavam, tomavam banho, conversavam e passavam toda a
noite juntas, além de passarem por estresses e alegrias semelhantes e não
devido a mensagens químicas.
Em outro estudo, Russel coletou amostras de suor da axila de uma mulher
com ciclo menstrual regular. Com essa amostra, ele produziu uma solução
alcoólica e a aplicou no lábio superior de um grupo de mulheres. Para
comparar, ele aplicou em outro grupo de mulheres apenas o álcool. Os
resultados encontrados foram que as mulheres que usaram a solução com
suor apresentaram sincronização de seus ciclos menstruais.
Outras evidências a favor da existência de ferormônios e de seu papel
na espécie humana vêm de estudos realizados com recém-nascidos. Foi
demonstrado que eles são capazes de reconhecer peças de roupa usadas por
suas mães e de repelir as usadas por estranhos. Já as mães seriam
capazes de reconhecer, no meio de uma pilha de roupas, as que foram usadas
por seus filhos. Apesar disso, não se tem certeza se esses fatos seriam
realmente devidos aos ferormônios.
Soma-se a isso a observação de que pessoas afetadas por determinadas
doenças que cursam com perda do olfato apresentam dificuldades de
relacionamento, inclusive com perda do desejo sexual.
Amor ao primeiro cheiro
Aparentemente, o olfato parece ter uma implicação importante no
comportamento sexual humano. Foram descobertas várias substâncias
presentes em secreções corporais que poderiam atuar como ferormônios
sexuais, como por exemplo, a androstandienona do suor masculino e as
copulinas da secreção vaginal.
Alguns estudos foram realizados usando-se substâncias semelhantes aos
ferormônios, baseados na hipótese de que os ferormônios com função
atrativa sexual apresentariam odor agradável. Entretanto, os resultados não
confirmaram essa hipótese, levando à conclusão de que odores agradáveis
não necessariamente significam atração sexual. Aliás, algo facilmente
reconhecido é que nem todo odor agradável tem associações sexuais.
Jennings-White estudou as respostas do OVN humano a substâncias
semelhantes aos ferormônios e encontrou que as mais ativas foram:
estratetraenol e androstandienona. Também relatou que elas são
sexo-específicas, ou seja, a primeira atua sobre os homens e, a segunda,
sobre as mulheres. Os ferormônios de outras espécies não mostraram ação
sobre o OVN humano.
Parece que, como em outros mamíferos, através dos ferormônios, as
mulheres conseguiriam evitar parceiros com alguns tipos de genes
semelhantes aos dela, como um mecanismo "antiincesto". Isso
seria conseguido através de substâncias específicas exaladas por cada
indivíduo.
Em um estudo publicado em 1999, os pesquisadores avaliaram as respostas de
homens e mulheres com relação à simetria e ao odor corporais. Foi
percebido que a sensualidade do odor é um indicador mais relevante na
escolha do parceiro, mais do que simplesmente se o odor é agradável ou não.
Um achado interessante foi o de que as mulheres percebem mais a diferença
entre um odor agradável e um odor sensual durante a fase mais fértil do
ciclo menstrual. Assim, foi concluído que o odor corporal é um fator
relevante na escolha do parceiro.
A escolha do "cheirinho
ideal"
Enquanto os homens parecem, claramente, escolher parceiras que
apresentam um equilíbrio desenvolvido, ou seja, são mais capazes de
lidar com problemas, o papel desse fator na escolha feminina mostra-se
mais complexo.
De acordo com a teoria parental, a escolha feminina estaria baseada em
parceiros capazes de fornecer benefícios materiais, proteção e cuidados
para a sobrevivência dos filhos. Por outro lado, os felizardos devem também
oferecer vantagens hereditárias à descendência. Mas parece que esses
dados nem sempre andam juntos. Os homens mais atraentes e com corpo mais
simétrico (e possivelmente com maior equilíbrio) teriam maiores chances
de aumentar seu potencial reprodutivo com múltiplas parceiras do que
investindo em construir uma única família. Alguns pesquisadores
demonstraram que os homens mais atraentes e simétricos apresentam mais
relações intra e extraconjugais.
A estratégia feminina para escolher um parceiro teria, então, que
estabelecer um acordo entre as necessidades materiais e os benefícios genéticos.
A melhor solução seria que a mulher, em primeiro lugar, procurasse um
parceiro no qual o investimento a longo prazo fosse mais confiável e, então,
tentasse otimizar a carga genética de seus filhos mantendo relações com
homens mais atraentes. Nessa questão, Baker afirma que, mulheres mais
avançadas na escala de evolução, apresentam uma tendência aumentada a
fazer uma "busca por genes", através de relações
extraconjugais. Os sinais olfatórios e as respostas desencadeadas por
eles seriam as pistas mais importantes nessa busca.
No período próximo à ovulação, as mulheres estariam mais sensíveis
aos ferormônios masculinos, quando comparado às outras fases do ciclo.
Isso poderia explicar os resultados encontrados no estudo citado acima. Além
disso, parece que os efeitos dos ferormônios estariam na dependência da
atuação do sistema imune do indivíduo que percebe o odor.
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